Na reunião ontem que definiu os rumos finais da campanha Limpa Geral, Rodrigo Agostinho esclareceu uma dúvida bastante recorrente: a nebulização. Ou melhor, a falta dela. O prefeito afirma que muitos criticam o fato de “não verem” mais o popular “fumacê”, contudo, o chefe do Executivo confirma que a recomendação é realmente evitar o uso do veneno.
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JC |
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Prefeito Rodrigo Agostinho lê encarte sobre campanha |
Segundo o prefeito, a própria Organização Mundial de Saúde (OMS) não recomenda a prática. Ele explica que o uso no passado tinha poucos resultados práticos e ainda criou um problema: a criação de “supermosquistos”.
“Como se usava muito, a geração dos mosquitos de agora ficou bem mais resistente. Por isso, hoje, quando se usa, é preciso aumentar a dose de veneno, o que pode ser até prejudicial para a população”, alerta.
Ele ainda revela que havia pouca eficácia na nebulização, uma vez que as pessoas “protegiam os mosquitos”. “Quando era feita a nebulização, as pessoas se trancavam em casa. Com isso, elas tentavam se proteger, porém, acabavam protegendo os próprios mosquitos lá dentro. Então, não tinha eficácia”.
E quando os mosquitos eram mortos, a “reposição” era muito rápida. “O veneno não mata a larva. Ele só afeta o mosquito mesmo. Quando ele era morto pelo veneno, em três dias, o mosquito alado já estava lá novamente”, complementa Rodrigo Agostinho.
Casos críticos
O chefe do Executivo, contudo, faz a ressalva de que a nebulização não é uma prática que foi extinta em meios às técnicas de controlar a dengue. “Ainda usamos, porém, em casos específicos e críticos”.
Ele exemplifica que o veneno é ainda é usado em imóveis nos quais, na fiscalização, são encontrados inúmeros focos da doença. “Nesses casos, ainda usamos o chamado ‘fumacê’. Mas só em casos críticos. O trabalho do poder público é realmente em outras frentes que tenham mais eficácia”, finaliza.
Esperança
O secretário municipal da Saúde, Fernando Monti, disse que só tem um sentimento em relação à campanha Limpa Geral: “esperança”. Ele afirma que o poder público tem se preparado melhor todo ano para combater a dengue, contudo, a melhor solução é de que sempre um menor número de pessoas contraia a doença.
“Nós percebemos que as iniciativas originadas da própria sociedade, como o Limpa Geral, surtem mais resultados. Realmente, nos dá esperança”, conclui.