Parlamentares norte-americanos exigiram ontem mais respostas sobre o atentado na Maratona de Boston, mostrando-se insatisfeitos com a reação do FBI a alertas sobre um dos suspeitos, e manifestando dúvidas sobre a declaração do outro suspeito de que ele e seu falecido irmão teriam agido sozinhos.
Alguns membros do Congresso questionaram se o FBI (polícia federal dos EUA) e outros órgãos de segurança deixaram de partilhar informações sobre o suspeito Tamerlan Tsarnaev em 2011, mesmo após a adoção de regras para melhorar a difusão de informações entre autoridades, após o atentado de 11 de setembro de 2001.
A polícia diz que os irmãos Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev, de origem chechena, detonaram duas bombas caseiras junto à linha de chegada da maratona, em 15 de abril, matando três pessoas e ferindo 264. Tamerlan, de 26 anos, morreu na madrugada de sexta-feira em confronto com a polícia, e Dzhokhar, de 19, ficou ferido, foi preso horas depois e deverá responder por crimes que acarretam até a pena de morte.
As atenções agora se voltam para até que ponto as autoridades negligenciaram o alerta russo de que Tamerlan poderia ser um militante islâmico. O FBI o entrevistou em 2011, mas não encontrou motivos para continuar investigando.
Seu nome foi incluído numa lista governamental sigilosa sobre pessoas vistas como potenciais ameaças, segundo fontes próximas à investigação. Mas a lista é tão vasta, com cerca de 500 mil nomes, que as autoridades não têm condições de monitorar todos os citados.
Em 2012, quando Tamerlan embarcou para uma visita à Rússia, a alfândega dos EUA lançou um alerta, mas ninguém ficou sabendo quando o suspeito voltou, e ele não voltou a ser ouvido pelas autoridades. “Isso é algo que precisamos examinar”, disse o senador republicano Dan Coats, membro da Comissão de Inteligência. “Essa é uma das coisas principais que já aprendemos, e precisamos continuar trabalhando para assegurar que não volte a acontecer, e isso (exige) comunicação simultânea a todas as agências relevantes quando um alerta é feito.” Parlamentares que ouviram agentes policiais e relatos da imprensa citando fontes não identificadas dão conta de que Dzokhar Tsarnaev contou aos investigadores, no seu leito hospitalar, que ele e seu irmão se radicalizaram por causa de materiais antiamericanos disponíveis da Internet, e que agiram sem assistência de qualquer grupo militante local ou estrangeiro.
Parente acusam Rússia
Um parente dos dois suspeitos disse que eles foram vítimas de um complô russo para retratá-los como terroristas chechenos operando em solo norte-americano.
Said Tsarnaev, residente de Grozny, a capital da Chechênia, acusou o governo russo de enviar informações falsas para os Estados Unidos com a finalidade de enquadrar os dois.