Política

MD gera reuniões sobre troca partidária

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

A criação de um novo partido é sempre a janela para que políticos insatisfeitos em suas siglas possam “mudar de casa”, impedidos pela lei de fidelidade partidária de migrar para outra legenda já consolidadas. O MD tem motivado especulações e negociações em torno do passe de 3 vereadores em Bauru. Atualmente, Moisés Rossi (MD) é o único já filiado, pois pertencia ao extinto PPS, que se fundiu com o nanico PMN.

Entre os cotados para aderir ao MD – todos da base governista - estão Carlinhos do PS (PP), Telma Gobbi (PMDB) e o presidente da Câmara Municipal Sandro Bussola (PT), que também comanda seu partido. O burburinho em torno do nome do petista já havia sido publicado na edição de ontem do Jornal da Cidade.

Quando questionado sobre a possibilidade, Bussola descartou a perspectiva de mudar de partido, mas ontem almoçou com o presidente do MD em Bauru, o secretário municipal do Desenvolvimento Econômico, Arnaldo Ribeiro. Do encontro também participaram Telma e Moisés Rossi.

Bussola nega, mas o JC apurou que ele teria articulado a reunião. Apesar de ser presidente do PT em Bauru, o comando do partido está nas mãos da vice-prefeita Estela Almagro (PT).

A leitura é de que Sandro não enxergaria espaço para crescer dentro da sigla. Além disso, pastor evangélico, não depende do partido e de suas bandeiras para seus projetos eleitorais. Em 2012, deixou para trás o antigo chefe José Carlos de Souza Batata (PT), de quem foi assessor por muitos anos.

Os rumores acerca da saída de Bussola mobilizaram a Executiva Estadual do PT. O movimento pode enfraquecer o partido, que teria apenas uma cadeira na Câmara Municipal. A sigla perderia ainda a presidência do Legislativo. O campo majoritário da sigla também sairia prejudicado, pois o outro vereador, Roque Ferreira (PT), faz oposição interna ao comando partidário.

Dúvida

Questionada sobre as motivações do almoço, Telma Gobbi desconversa, alegando que conhece há muito Arnaldo Ribeiro – presidente do MD. “Foi uma conversa sobre assuntos diversos, inclusive a votação da moção contra o Marco Feliciano na Câmara”.

No entanto, o diálogo sobre a mudança aconteceu e, segundo apuração do JC, deixou a vereadora balançada. Iniciante na política e de perfil combativo e questionador, a parlamentar não está adaptada à condição de “subordinação” que se espera de filiados ao partido que comanda o Poder Executivo (PMDB).

Cargo

Já Carlinhos do PS não participou do almoço de ontem, mas se reuniu com Arnaldo Ribeiro no último domingo. A conversa com o MD, porém, parece não ter prosperado, diante do ensejo do parlamentar em ampliar seu espaço no governo a partir da indicação de cargos.

O descontentamento com o PP, aliás, teria essa mesma motivação. O partido presidido por Roberval Sakai (PP) ganhou, no segundo mandato, a Secretaria Municipal de Administrações Regionais (Sear), mas não abriu espaço para o vereador.

A mudança de Carlinhos é ainda mais remota pelo fato de estar prestes a ser publicada a nomeação, em cargo comissionado, do seu principal “apadrinhado”, Agenor de Souza, que foi afastado, em fevereiro de 2012, do posto de chefia que ocupava no Departamento de Água e Esgoto (DAE), após o episódio da lavagem, com água potável, das arquibancadas do estádio do Noroeste.


Na lealdade

Integrante da base de Rodrigo Agostinho desde outubro do ano passado, Arnaldo Ribeiro, presidente do MD e secretário do Desenvolvimento Econômico, foi procurado pelo JC, mas se limitou a responder que qualquer negociação com vereadores governistas terá de ter o aval do prefeito.

“Ele sabe de todos os passos, todas as conversas. Caso aconteça alguma movimentação, os presidentes dos partidos desses vereadores também serão informados”, garante.

O dirigente partidário não esconde, porém, o interesse em trazer parlamentares da oposição para o MD. Fernando Mantovani (PSDB) e Natalino da Pousada (PV) são outros nomes cogitados para uma futura discussão.

A maior aposta está no verde, que, na prática, participou da base de Rodrigo no primeiro mandato, tem cargos indicados na administração e não figura como protagonista no PV, pois seu nome não é sequer cotado para a disputa eleitoral de 2014.

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