A presidente Dilma Rousseff anunciou na última terça-feira (23) que a mistura de álcool na gasolina aumentará de 20% para 25%. O consumidor, no entanto, poderá continuar fazendo o mesmo cálculo para saber se é mais vantajoso abastecer com álcool ou com gasolina: gasta-se menos se o preço do etanol no posto for menor ou igual a 70% do preço da gasolina.
Segundo especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo, o aumento da proporção de álcool, que valerá a partir de 1º de maio, afetará minimamente o desempenho dos motores, já ajustados para essa variação. Assim, não haverá impacto no bolso na hora de abastecer.
"Do ponto de vista da engenharia, os carros movidos à gasolina tem uma perda de desempenho imperceptível para o motorista com a nova mistura. Já os carros flex [que rodam com os dois combustíveis] não têm perda alguma, pois o motor já é preparado para operar com 30% menos de calor gerado pelo álcool", explica o professor de engenharia da FEI (Fundação Educacional Inaciana) Ricardo Bock.
Pela ótica do consumidor, portanto, não haverá nenhuma diferença no custo total de abastecimento do veículo, afirma o professor.
A assessoria de imprensa do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) corrobora a opinião do professor, afirmando que a nova composição foi pensada de forma a não causar perda de desempenho nos veículos.
A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) também afirmou que a mudança não trará diferença significativa de desempenho dos motores.
Competitividade
Além da nova composição, a presidente anunciou um pacote de incentivos ao setor sucroalcooleiro para resgatar a competitividade do preço do etanol em relação à gasolina.
Além do aumento da proporção de álcool na gasolina, o pacote o inclui o fim da cobrança de PIS/Cofins sobre o etanol --hoje, de R$ 0,12 por litro-- e a renovação e diminuição das taxas de juros para produtores.
Entretanto, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, as medidas não tem o objetivo imediato de diminuição do preço do etanol.
Não quer dizer que o setor vai repassar necessariamente. Estamos condicionando [os incentivos] ao aumento da oferta, porque aí o preço vai ser reduzido".