O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou ontem que o depoimento dado pelo publicitário Marcos Valério sobre o mensalão em setembro “está longe de ser detalhadíssimo”.
“A partir dele, caberá às instâncias competentes (atuarem). Isso está tramitando nas procuradorias da República de primeiro grau, já não há motivo para atuação do procurador-geral sem surgir pessoas com prerrogativa de foro”, afirmou.
Gurgel explicou novamente que o depoimento aconteceu no contexto do julgamento do (mensalão), “diante de um pedido feito pela defesa de Marcos Valério à presidência do STF (Supremo Tribunal Federal)”.
Segundo Gurgel, Valério “imaginava que (o depoimento) poderia ainda ser utilizado no julgamento e render-lhe benefícios na própria ação penal”. “Eu desfiz prontamente essas duas perspectivas, dizendo que não haveria possibilidade porque o julgamento já que se iniciara”, disse. No julgamento do mensalão, Valério foi condenado pelo STF a 40 anos de prisão.
Por tratar de denúncias distintas, o depoimento de Valério gerou a abertura de seis procedimentos preliminares na Procuradoria da República no Distrito Federal, além de outros dois terem sido anexados a inquéritos em andamento.
Um dos procedimentos já virou inquérito na Polícia Federal. Ele investiga a afirmação de Valério sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Valério Lula teria, junto com o ex-ministro Antonio Palocci, negociado com a Portugal Telecom o repasse de US$ 7 milhões para o PT.