Bairros

Famílias deixam favela do Ferradura

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Éder Azevedo

Daniela Gabriel e Ricardo Cruz: esperança de conseguir casa melhor no mesmo local

Aproximadamente 60 pessoas de 18 famílias moradoras da favela do Ferradura Mirim foram removidas e reassentadas em programas sociais pela prefeitura, ontem, em Bauru. A remoção foi realizada através do grupo multissetorial do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) para dar andamento a um projeto de reurbanização do local, que deve receber moradias populares nos próximos anos.

O terreno em questão, ao final da rua 17, estava ocupado irregularmente desde 2010 e abriga uma Área de Preservação Permanente (APP) de cerrado.

Segundo a responsável pelo projeto, a vice-prefeita Estela Almagro, o local seria de propriedade da Diocese e foi adquirido por uma construtora, que após a remoção deverá cercar a área para iniciar a construção de 60 unidades residenciais que contemplarão o programa do governo federal Minha Casa Minha Vida.

O investimento total do projeto é de R$ 5 milhões e a entrega das moradias está prevista para o início de 2015.

“Iremos trabalhar com celeridade, mas como é área ambiental, poderemos levar mais tempo até a aprovação total do projeto”, frisa a vice-prefeita, comentando que a intenção inicial do projeto era a construção de 200 casas, mas o fator ambiental impediu a viabilização de mais residências na área. “Elas serão construídas somente ao redor dos locais que não possuírem mais vegetação”, completa.

O local em questão possui uma área de 55 mil m², mas apenas 9 mil m² serão aproveitados para o projeto, que também pretende contemplar a construção de um parque ecológico.

Destino

Das 18 famílias removidas, oito seguiram para apartamentos do Residencial Três Américas, no Núcleo Edson Silva, que foram previamente reservados para atendimento de demanda dirigida do programa de reassentamento em andamento desde 2011, através do programa MCMV. 


Outras quatro seriam atendidas pelo serviço de assistência de aluguel e hotel social, disponibilizados pela Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes).

O restante das famílias preferiu seguir para casa de parentes e receberá ajuda da Sebes como, por exemplo, cestas básicas e leite.

“Desde o início do ano estamos em diálogo com os moradores e informando sobre a desocupação. Reservamos 18 moradias no residencial, mas muitos preferiram outras opções para esperar voltar para cá ou por moradias em outros bairros”, explica Estela. “Todos esses moradores possuem cadastro na Sebes e estão no Minha Casa, Minha Vida. Temos a garantia de que ninguém ficará desalojado, tudo está sendo acompanhado. Com isso, esperamos iniciar a transformação da comunidade como um todo”, reforça a presidente da associação de moradores do bairro, Gisele Moretti.

Ainda de acordo com Estela, o trabalho da prefeitura que envolve as famílias citadas e outras famílias moradoras de área irregular na região do Ferradura Mirim teve início em 2010, em conjunto com a Associação de Moradores do bairro. Segundo Gisele Moretti, o Ferradura Mirim abriga hoje cerca de 1.200 famílias.


Do barraco para a casa nova

Apesar de aparentar tristeza, o cenário de destruição de ontem de manhã na favela do Ferradura Mirim era sinônimo de alegria e esperança para alguns moradores, como para o vendedor ambulante Raimundo Oliveira, 51 anos, que ainda pela manhã seguiria com o filho de 12 anos para a nova casa no residencial do Núcleo Edson Silva.

“Daqui para frente, é começar de novo, mais feliz e sossegado. O residencial é um pouco mais longe da cidade, mas só de pensar em trocar a madeira pela alvenaria e por um lugar mais seguro já compensa”, comemora Oliveira. 

Já para o casal Ricardo Aparecido Cruz, 40 anos, e Daniela de Oliveira Gabriel, 23 anos, a mudança, apesar de significar o início de uma nova etapa para a melhoria de vida, também representava dúvida. “A promessa está feita. Daqui a dois anos queremos voltar a morar aqui em uma casa de alvenaria. Espero que tudo continue dando certo e que voltemos para cá”, afirma o morador, olhando para os destroços do barraco de dois cômodos e um banheiro ao chão. “Passamos a noite sem dormir arrumando tudo. Os eletrodomésticos estão na vizinha e as roupas guardadas. Só nos restaram o cachorro, a Brasília e as roupas”, completa Daniela.

Ainda ontem, o casal e a filha de 11 anos, que estava na escola no momento da mudança, seguiriam para uma casa com aluguel social no bairro, por onde devem ficar até um prazo máximo de dois anos.

As famílias participantes do Minha Casa Minha Vida, assim como Raimundo, possuem renda familiar abaixo de R$ 1.600,00 e pagarão, por um período de dez anos, parcelas mensais na ordem de R$ 25,00 a R$ 80,00 para adquirir o imóvel próprio.

 

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