Bairros

Demora e improviso provocam reclamações em posto de saúde

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Moradores das vilas Ipiranga e Independência reclamam do atendimento prestado pela única Unidade Básica de Saúde (UBS) que abrange os dois bairros. Demora, precariedade da estrutura do prédio e até falta de papel higiênico e de limpeza foram situações que resultaram em um estopim que culminou com a denúncia do caso ao JC pela liderança comunitária dos bairros, na manhã de ontem.

Com a senha de atendimento número 99 nas mãos, a líder comunitária dos bairros Jardim Solange, Vila Santista e São Francisco, Ângela Brito Silveira, 43 anos, mostra sua indignação quanto à demora para conseguir um atendimento que, em tese, deveria ser rápido e simples: a medição da pressão arterial.

“Já é a quarta ou quinta vez que venho a essa unidade, que é a única dos bairros por aqui, para medir minha pressão e pegar meu remédio para hipertensão, mas não sei se vou conseguir esperar. O nervoso acaba não compensando”, comenta a mulher hipertensa, mostrando a receita do remédio que venceu há quase dois meses. “O jeito é rezar e controlar a pressão com chá de erva cidreira e maracujá lá em casa mesmo”, completa.

A mesma situação é sustentada por Edna Maria Guerra, 48 anos, que presente desde as 8h e com consulta marcada, falava sobre a expectativa de conseguir a receita médica para os remédios contra epilepsia até as 14h30.

“Venho ao posto a cada dois meses e é sempre esse nervoso e demora. Se vou a uma outra unidade, eles não atendem e me mandam para cá. Faz mais de duas horas que estou esperando e nada. Quero ver quem vai me socorrer se eu tiver convulsões aqui na fila”,  reclama a moradora, questionando ainda a falta de estrutura do prédio em que os atendimentos são realizados. “Se precisar de banheiro, aí que piora tudo. É apenas um para funcionário, homem e mulher e nem papel higiênico tem. O bebedouro é de torneira e também não tem copos”, reforça.

Vacina

Segundo a líder comunitária, a situação se estende desde 2008, após a desativação da Unidade Básica de Saúde da Vila Ipiranga. “Disseram que essa situação permaneceria apenas por quatro meses, mas já faz cinco anos”, ressalta Ângela.

De fato, a fila para conseguir remédios e atendimento era grande ontem pela manhã e a insatisfação era geral, conforme a reportagem apurou junto aos moradores no local.

Outras reclamações comuns eram a falta de um ambiente para vacinas em crianças e a limpeza do prédio. “Lá dentro a situação é um caos, pior do que aqui fora. Esse posto atende 60 mil pessoas por mês”, acrescenta Ângela, lembrando de uma situação que passou no local há três meses, quando foi enrolada em um lençol por falta de camisola para realizar o exame de papanicolau. “Não tem cabimento. Se a Vigilância Sanitária viesse, com certeza interditaria esse posto”, acredita.


Abandono

Se, por um lado, a população reclama da estrutura e do atendimento precário na unidade improvisada na Vila Independência, por outro, o antigo prédio que abrigava o posto de saúde do Ipiranga, ao lado da nova Unidade de Pronto-Atendimento do bairro, representa um perigo para a vizinhança.

Abandonado, o local tem cheiro de urina e, segundo moradores, abriga usuários de drogas que frequentam as dependências da unidade com janelas quebradas, grades arrancadas e portas estouradas.


Fase final


Em nota, a Secretaria Municipal de Obras informou ontem que a conclusão da análise técnica referente ao processo de rescisão de contrato firmado com a empresa vencedora do processo de licitação para construção do prédio da Unidade Básica de Saúde Ipiranga está em fase final.

De acordo com a Secretaria Municipal de Obras, a solicitação de rescisão do contrato citado foi solicitada pela Secretaria Municipal de Saúde, responsável por todo o processo licitatório.

Em seguida será dado prosseguimento aos trâmites legais e, após a conclusão do processo de rescisão, será feita a convocação da empresa classificada em 2º lugar como determinam as regras. “Está prevista a construção de um prédio de 430 m² anexo ao atual, mas por enquanto não há previsão para o início das obras.  Por outro lado, a Secretaria de Obras irá providenciar, em breve, a demolição do prédio da antiga UBS da Ipiranga, anexo à UPA do bairro”.

A secretaria esclarece que o atendimento médico contempla 26 horas semanais de ginecologia, 30 horas semanais de pediatria  e 66 horas por semana de clínico geral, totalizando 122 horas semanais de médicos, o que representa 488 consultas por semana.

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