A desarticulação no planejamento e na elaboração de projetos do governo municipal pode pesar nos cofres da Prefeitura de Bauru, caso Rodrigo Agostinho (PMDB) consiga a aprovação da Câmara Municipal para aderir ao PAC Mobilidade Urbana. A cidade foi contemplada com financiamento – com juros baixos e carência de quatro anos – para promover a remodelação do corredor central em torno da Rodrigues Alves, mas a intervenção vai custar mais do que os R$ 12,3 milhões requeridos junto ao governo federal.
O projeto aprovado pelo Ministério das Cidades foi desenvolvido pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), que deixou de apontar obras complementares – porém, necessárias – para a sua viabilização.
Ao passar pela análise da Secretaria Municipal de Obras, na semana passada, foram apontados, pelo menos, mais R$ 2 milhões no custo da execução do projeto. Este é o preço estimado para a instalação de galerias pluviais, estruturas responsáveis pela captação de águas pluviais.
O titular da pasta, Sidnei Rodrigues, adianta ainda que outras intervenções serão necessárias como na iluminação pública. Cada poste mudado de lugar custa em torno de R$ 3 mil.
“Foi apresentado em Brasília apenas o anteprojeto. Agora, junto com Secretaria Municipal do Planejamento, vamos elaborar o projeto executivo para que a obra possa ser licitada. Não vai ser um valor muito baixo para somar o que deve ser emprestado”, pontuou.
Na semana passada, Rodrigo Agostinho (PMDB) pediu agilidade às pastas na complementação do projeto. O prefeito deve enviar, nas próximas semanas, projeto de lei pedindo autorização do Legislativo, com 0,5% de juros, para começar a ser pago daqui a quatro anos.
Sem problemas?
Mesmo diante do orçamento municipal apertado, razão pela qual Agostinho já suspendeu as licitações de obras novas, o prefeito acredita que os custos adicionais ao projeto do PAC Mobilidade não sejam entrave para a remodelação da Rodrigues Alves. Ele afirma que as obras devem se viabilizados com recursos orçamentários do exercício de 2014.
“Não dá para fazer omelete sem quebrar ovos. Este não será o único problema que vamos enfrentar. Teremos dificuldades no trânsito enquanto as intervenções acontecerem. Será uma transformação pesada naquela região”, argumenta.
Rodrigo admite que os gastos extras poderiam ter sido previstos no projeto aprovado pelo Ministério das Cidades, caso houvesse articulação em sua elaboração entre Emdurb e secretarias da prefeitura. “Acontece que a nossa estrutura é enxuta e os prazos eram curtos. Obras e Seplan estavam concentrados no PAC Pavimentação”.
A ‘9 de Julho bauruense’
O projeto engloba novo corredor de ônibus nas avenidas Rodrigues Alves, Pedro de Toledo e Nações Unidas, com faixas exclusivas para o transporte coletivo urbano nas áreas mais centrais e uma faixa de cada lado destinado aos veículos leves nas extremidades.
A concepção é parecida com o que foi feito na avenida 9 de Julho, em São Paulo. Os carros circulam nas faixas das bordas e os ônibus na parte central da avenida. O canteiro da Rodrigues Alves seria eliminado para dar lugar à adaptação.
O corredor da avenida, que recebe mais da metade de todo o transbordo e embarque atual de passageiros do transporte coletivo, seria distribuído entre três terminais de integração, um onde hoje funciona o Terminal Rodoviária, um na praça Machado de Mello e outro na praça do Líbano
O projeto inclui a substituição completa do piso atual das avenidas Rodrigues Alves e Pedro de Toledo, do calçamento, da arborização, do mobiliário urbano (como os pontos de ônibus) e de acessórios, como lixeiras.
A proposta engloba ainda sistema de sinalização inteligente e construção de ciclovias, nas avenidas Nações Unidas, Nuno de Assis, Darcy César Improta, Rosa Malandrino Mondelli, e nas ruas Judith Francia, Casimiro de Abreu e Tiradentes
Entidades querem ampliar discussão
O Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo (Seesp) e a Associação de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag) protocolaram ontem documento solicitando que o projeto do PAC Mobilidade Urbana seja apresentado e discutido juntos às duas entidades. A promessa de ampliar o debate, aliás, partira do próprio prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB).
Presidente do sindicato, Marcos Wanderley Ferreira afirma que as entidades e as universidades possuem profissionais especializados para discutir o projeto. “Durante a campanha eleitoral, nos colocamos à disposição, mas não fomos procurados. Não ganhamos nada com isso, mas podemos oferecer subsídios importantes”.
Ele lembra que a primeira intervenção do Seesp impediu que o viaduto da avenida Rodrigues Alves sobre a rodovia Marechal Rondon fosse construído com apenas uma pista. “Teria sido um desastre, como foi a construção do viaduto inacabado. As entidades não foram consultados, não houve debate e deu no que deu. Podemos tirar dúvidas e sugerir soluções”, pontua Ferreira.
Presidente da Assenag, Afonso Fábio ressalta que as entidades não desmerecem a capacidade dos profissionais da Emdurb e da Prefeitura de Bauru. “Eles são competentes, mas este debate é muito importante. Trata-se de um projeto que revoluciona um corredor nerval e discute a Bauru do futuro”.
Drenagem na Nações
Para evitar problemas como o do PAC da Mobilidade Urbana, Rodrigo Agostinho (PMDB) decidiu terceirizar a elaboração de projeto para o PAC Drenagem. O edital para a apresentação de projetos deve ser aberto pelo Ministério das Cidades no segundo semestre.
O prefeito explica que esta é a oportunidade para dar fim às enchentes na avenida Nações Unidas, construindo tubulações que levam a água do local, com segurança, para o rio Bauru. A intervenção exigiria também a construção de barragens nos córregos para conter a queda dessas águas no rio e não ocasionar enchentes, por exemplo, na Nuno de Assis.