Política

MD pode ser ?abrigo? de Marina Silva

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Quioshi Goto

Jardim esteve ontem no Café com Política, do JC, acompanhado do  vereador Moisés Rossi e do secretário Arnaldo Ribeiro

Liderança nacional e estadual do MD, novo partido criado a partir da fusão entre PPS e PMN, o deputado federal Arnaldo Jardim descarta que a legenda acolha José Serra (PSDB) para a disputa presidencial do ano que vem. O parlamentar, no entanto, considera que a possibilidade de a sigla lançar a ex-senadora Marina Silva na corrida pelo Planalto, caso o movimento liderado por ela, a Rede Sustentabilidade, não se viabilize como partido político.

Com a criação do MD, muito se especulou sobre a ida de Serra para a legenda. O ex-governador de São Paulo se sente desprestigiado no PSDB, que escolheu Aécio Neves como pré-candidato à Presidência da República. As insatisfações e intensificou após divergências na eleição do Diretório Municipal de São Paulo, que elegeu comando ligado a Geraldo Alckmin.

“O MD ainda não tem a energia suficiente para lançar um candidato a presidente. No entanto, um nome como José Serra é muito bem-vindo e será sempre um importante quadro em qualquer partido onde estiver”, avalia Jardim.

O deputado pontua também que, na eleição para o governo do Estado de São Paulo, a sigla deve apoiar a reeleição de Alckmin, mais uma vez, fechando portas para Serra. “Tenho conversado com ele frequentemente e nunca ele sinalizou o interesse em disputar o governo”.

Nos bastidores políticos, no entanto, comenta-se que o tucano, que disputou a Presidência em 2002 e 2010, é cotado para concorrer à vaga de senador que será disputada em 2014.

Para ela, sim

Apesar da negativa para José Serra, Arnaldo Jardim afirma que o MD pode acolher Marina Silva e lançá-la na corrida presidencial. “É uma situação diferente, pois ela já figura entre as três forças do campo de oposição ao governo federal. Colocar o quarto nome seria inviável”, explica.

O ingresso de Marina no MD pode se dar caso a Rede Sustentabilidade não consiga reunir 500 mil assinaturas até setembro deste ano, condição para se viabilizar como partido e conseguir o registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Até agora, estima-se que menos de 200 mil tenham sido coletadas.

União na oposição

Arnaldo Jardim enfatiza o que chama de união de forças oposicionistas. Por conta da intenção do governo de dificultar a criação de novos partidos, estão se articulando os três nomes que devem concorrer com Dilma Rousseff (PT): Marina Silva, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB).

“O projeto, com mais dificuldade do que esperava o governo, passou pela Câmara e agora está no Senado. Na semana passada, houve uma reunião com entre essas lideranças e partidos, além do PSOL, de representantes do PDT e da gente”, conta o deputado.

Jardim atribui também o que chama de fato inédito à antecipação da campanha eleitoral de 2014, que, segundo ele, foi estimulada pela presidente da República.

Avanço

O MD aguarda deferimento da Justiça Eleitoral durante o mês de maio. A partir disso, políticos terão 30 dias para se filiarem à sigla para que não percam seus mandatos. Arnaldo Jardim prefere não estimar o número de deputados que devem migrar para a nova sigla, mas diz estar animado, inclusive com possíveis adesões no Senado.

Mesmo que seja alterada a legislação, retirando dos novos partidos o tempo de propaganda política e a participação no fundo partidário, o MD não sofrerá impactos, pois terá sido criado antes da mudança.

A partir da fusão entre PPS e PMN, o MD tem hoje 13 deputados federais, 58 deputados estaduais, 147 prefeitos, 2.527 vereadores e 683.00 filiados. A principal liderança do partido é o deputado federal Roberto Freire, presidente nacional da sigla.


Candidatura local

O deputado federal Arnaldo Jardim comentou, ontem, em passagem por Bauru, a movimentação do MD na cidade. Ele diz estar satisfeito com a adesão de diversos setores da sociedade e com o interesse de vereadores em se filiar à nova sigla.

Ele aposta ainda no lançamento de candidaturas a deputado estadual e federal no município e na região, mas evita comentar nomes. O vereador Moisés Rossi (MD) alega que ainda é muito cedo para especular em torno do assunto, mas entrega que, se for chamado, colocará seu nome à disposição da legenda.

Depois de três dias de “namoro” e especulações, Telma Gobbi (PMDB) e Sandro Bussola (PT) acenam o encerramento das negociações com o partido. A filiação de Carlinhos do PS (PP) também não é mais esperada pelo presidente municipal da sigla, Arnaldo Ribeiro. Na semana que vem, no entanto, ele deve almoçar com Natalino da Pousada (PV).

Jardim destacou ainda a boa relação com o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), com quem almoçou ontem. O antigo PPS passou a integrar a base governista na eleição de 2012 e ganhou a Secretaria Municipal do Desenvolvimento Econômico.

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