Regional

Tião, o guardião

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 2 min

Não são apenas os leões, ou guardas romanos, ou cachorros que metem medo, soltos pela propriedade, que zelam pelo castelo. Na moradia anexa, que foi ocupada pelos Furlani nos últimos anos de vida de Fausto (pela idade avançada ele construiu uma casa menor, sem os degraus para atrapalhar a mobilidade do casal), vive o zelador Sebastião Benedito Lima, ou simplesmente “Tião”, e a esposa.

Literalmente o guardião do castelo, o caseiro garante o trato especial no jardim ao redor da imponente construção, além do trato em toda a propriedade.

Apesar do castelo já fazer parte da paisagem cotidiana dos moradores de Pederneiras, o zelador testemunha que, volta e meia, aparece alguém, geralmente de fora da cidade, curioso sobre a majestosa construção cuja torre é vista ainda da estrada que dá acesso à propriedade fechada. “As pessoas têm curiosidade, querem saber se dá para entrar”, comenta.

Histórias de assombração estão entre os motivos que intrigam os curiosos. Tião não confirma nenhuma lenda. Com um sorriso no canto da boca e olhar tímido, também não desmente suposições criadas pelo imaginário popular do lado de fora do muro ao redor do castelo, que lembra, muito, cenário de antigos filmes de terror.

Proibido para menores

Típico cenário de trhiller hollywoodiano, o castelo de Pederneiras se transformou, de fato,  em locação para filme. No entanto, o resultado não agradou a família, que toca no assunto com muita reserva.

Rodado em 1982, o “Castelo das Taras”, como o próprio nome diz, não faz jus à relevância cultural da propriedade, alegam os herdeiros do casarão.

Segundo a neta Marta, a família concordou em ceder o espaço para as filmagens sem ter ciência exata do que se tratava.

Apesar da película ser tachada, em diversas sinopses, como do gênero “drama”, o conteúdo erótico das cenas, lembra a proprietária, gerou constrangimento. As cenas impróprias, desmistifica, não foram gravadas na propriedade, que serviu como cenário para tomadas externas, principalmente envolvendo a torre que figura na capa em VHS.

Dirigido por Julius Belvedere e protagonizado por Esmeralda de Barros e Dorival Coutinho, o “Príncipe da Boca” - alusão ao movimento conhecido como cinema Boca do Lixo, marcado principalmente por pornochanchadas produzidas nos anos 1970/1980 -, o enredo é uma adaptação do texto “Justine”, do Marquês de Sade (daí o termo Sadismo) e mescla conflitos existenciais e erotismo.

Para os donos do castelo, essa é uma página sem destaque na história.

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