A simpatia é uma das características mais marcantes do entrevistado de hoje. Paulo Roberto Martinello é contador e auditor. Novo presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), onde atua desde 2007, há décadas ele tem dedicado boa parte de sua vida ao sindicalismo.
Aos 56 anos de idade, 44 deles na profissão contábil, ele iniciou sua carreira aos 12 anos em um escritório na rua Batista de Carvalho, de onde só saiu para montar seu próprio negócio. Hoje, o contador trabalha ao lado da família na Procex.
“Comecei no escritório Novo Mundo como office boy. Comprei uma bicicleta com meu segundo salário e trabalhei com ela por uns dois anos. E como eu era o único que tinha bicicleta, era o que mais trabalhava. Saía da Batista e rodava a cidade toda, várias vezes ao dia. Fui crescendo dentro do escritório e na vida”, lembra.
Engajado no sindicalismo, entre as suas muitas atuações ele foi presidente da Associação das Empresas de Serviços Contábeis de Bauru por dois mandatos, presidente do Sindicato dos Contabilistas de Bauru na gestão 1993/1996, onde também ocupou por 18 anos o cargo de tesoureiro. Foi delegado representante da Federação dos Contabilistas do Estado de São Paulo de 1993 a 2011, além de ter sido diretor regional em Bauru do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas no Estado de São Paulo, de 2004 a 2009.
Martinello é casado há 35 anos com Solange, tem dois filhos, Paulo e Christiano, além de dois netos: Leonardo e Lívia. Confira as suas principais histórias pessoais e profissionais, a seguir.
Jornal da Cidade - Você é o primeiro contabilista a assumir a Acib. Já tem planos para o seu trabalho como presidente?
Paulo Roberto Martinello - Na realidade, a princípio eu estou buscando aumentar o número de sócios. Há muitas empresas que não são associadas à Acib. Além do comércio e indústria, a associação também privilegia os serviços. Eu, por exemplo, vim da área contábil. Associei-me à Acib em 2007 e fui para o conselho fiscal, depois para a vice-presidência e, hoje, presidência. Para falar a verdade, eu não esperava. Isso foi uma surpresa para mim. É a primeira vez, em 82 anos, que um contabilista assume essa entidade.
JC - Uma grande responsabilidade?
Martinello - Sim. É um privilégio e uma responsabilidade muito grande. Por lá já passaram homens de grande expressividade e experiência no comércio, principalmente. Eu estou mais focado na gestão. É com a gestão que eu vou procurar aumentar a receita da associação.
JC - Como o senhor avalia a sua vida e o sindicalismo?
Martinello - Minha vida praticamente foi e ainda é focada no sindicalismo. Eu entrei no sindicato dos contabilistas em 1975 e ocupei vários cargos, como secretário, tesoureiro durante 18 anos, quando saí, em 2002, recebi uma bela placa de homenagem da Câmara Municipal e do próprio sindicato. Fui presidente da entidade na gestão 1993/1996. Depois disso, eu assumi a Associação das Empresas de Serviços Contábeis de Bauru, fui presidente por duas gestões, assumi a diretoria regional do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis do Estado de São Paulo, também por duas gestões, entre muitas outras atuações. Sou administrador da Junta Comercial do Estado de São Paulo desde a sua fundação, em 1997.
JC - Como começou a sua carreira na área contábil?
Martinello - Primeiro eu preciso contar parte da minha infância. Quando eu tinha uns 11 anos de idade, minha mãe me internou na Escola de Iniciação Agrícola de Garça. Fiquei lá durante dois anos, 1967 e 1968. Minha mãe me levava na segunda-feira de manhã e eu passava 30 dias sozinho em Garça. Aí, meus avós, que viviam lá, buscavam-me na escola agrícola, colocavam-me no trem e a minha mãe me esperava aqui, na estação ferroviária, no sábado de manhã. Não tínhamos recursos financeiros, por isso eu voltava para a casa dos meus pais apenas uma vez por mês. O trem parava em muitas cidades e o percurso de 70 quilômetros chegava a durar três horas. Mas a saudade que eu sentia da minha mãe era tão grande que eu chorava muito. Depois daqueles dois anos, eu precisava ir para São Manuel para fazer o nível técnico, mas preferi voltar para Bauru.
JC - Mas foi uma boa experiência?
Martinello - Foi uma boa experiência, sim, porque eu comecei a enxergar a vida de uma maneira diferente. Eu gostava do que fazia. Cultivava horta, plantava milho, arroz... Tirava leite de vaca, aprendia a vacinar o gado...
JC - Voltando a Bauru...
Martinello - Meu pai arrumou um emprego para mim no escritório Novo Mundo que, na época, ficava na quadra 3 da rua Batista de Carvalho. Aquele foi o meu único emprego e eu trabalhei lá durante 12 anos, até 1981, quando montei o meu próprio escritório de contabilidade. Entrei como office boy e foi lá que decidi seguir a carreira contábil. Lembro-me que recebi o primeiro salário por 15 dias trabalhados e que o segundo pagamento foi destinado à compra de uma bicicleta vermelha que eu cuidava com todo carinho. Como office boy, eu fiquei cerca de dois anos trabalhando com ela. E como eu era o único que tinha bicicleta, era o que mais trabalhava. Saía da Batista e rodava a cidade toda, várias vezes ao dia. Fui crescendo dentro do escritório e na vida. Fiz curso técnico e, mais tarde, faculdade de contabilidade. Estou há 44 anos na profissão.
JC - Na Procex você trabalha com a família, certo?
Martinello - Sim. Trabalhamos eu, minha esposa e nossos dois filhos, todos contabilistas. Além de contadores, como eu, meus filhos são auditores. Minha esposa assumiu o cargo de financeira e RH da empresa e um dos meus filhos trabalha no setor fiscal e, o outro, no setor contábil. O trabalho em família é tranquilo. Às vezes a gente passa por um estresse aqui, outro ali, porque a contabilidade está passando por muitas mudanças, mas nada que a gente não consiga resolver.
JC - E a música é a sua válvula de escape?
Martinello - É a minha válvula de escape, sim. Sempre que estou dirigindo eu estou ouvindo música. Em casa, à noite, eu também dedico o meu tempo a escutar boas canções. Mas é na nossa chácara, aos finais de semana, que eu mergulho nesse hobby. Eu espalhei caixas de som pelo espaço todo: no salão de festas, na piscina, na porteira, no campo de futebol, ou seja, onde estou eu estou ouvindo música. E gosto de todos os estilos, mas o meu preferido é MPB.
JC - Qual é o valor de um sindicato atualmente?
Martinello - Toda atividade tem aquelas pessoas que brigam por você e que se sentam em uma mesa para conversar, quer seja patrão, quer seja empregado. Nesse período que eu tenho de sindicato, que já chega há 30 anos, eu sempre procurei trabalhar em função do contabilista e fazer com que o profissional crescesse e se aperfeiçoasse através de cursos, palestras... Sentei muitas vezes ao redor de mesas para discutir valores de mensalidade e outros benefícios, como aumento salarial, por exemplo.
JC - Qual é o segredo de um líder?
Martinello - Respeito, responsabilidade e cuidado com as pessoas são virtudes indispensáveis a um líder. O que eu quero dizer com isso é que, a partir do momento em que eu assumi as funções de presidente, tesoureiro ou diretor regional, eu fiz tudo com muito amor e carinho. Cada entidade dirigida ou presidida foi um desafio diário, mas eu estou feliz por ter feito o meu melhor. E é isso que farei agora, na Acib.
Perfil
Nome: Paulo Roberto Martinello
Idade: 56 anos
Local de Nascimento: Bauru
Esposa: Solange
Filhos: Paulo e Christiano, além dos netos Leonardo e Lívia
Hobby: Ouvir música
Livro de cabeceira: “O Monge e o Executivo”
Filme preferido: “Love Story: Uma História de Amor”
Estilo musical predileto: MPB
Time: Palmeiras
Para quem dá nota 10: Para minha esposa e para os meus filhos
Para quem dá nota 0: Para os que não têm comprometimento
E-mail: martinello@procexcontabilidade.com.br