Bairros

Por que Bauru tem tanto entulho?

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 3 min

Material de construção, móveis, galhos, eletrodomésticos... Em praticamente todos os bairros de Bauru, o entulho faz parte da paisagem de algum ponto do lugar, seja um terreno baldio, uma área descampada ou mesmo as calçadas. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município tem 108.905 domicílios em área urbana. Destes, 7,21% possuem lixo na rua, o que representa cerca de 7.750 residências. 

A cidade paulista com maior concentração de lixo no logradouro, segundo os dados enviados pelo IBGE, é Panorama com índice de 32,85%. Já Oriente é a mais limpa, com 1,56%. A Capital do Estado apresenta 4,08% dos logradouros com lixo acumulado.

A matéria chama de entulho todo o material que vai além da construção civil, ou seja, todo lixo que não é o doméstico orgânico, como móveis, resíduos de limpeza de terrenos e podas de árvores, além de eletroeletrônicos, que são irregularmente depositados em espaços públicos e privados abertos, como terrenos e calçadas. 

Informação e punição

Mesmo com os milhares e crescentes casos de dengue e com a divulgação de iniciativas preventivas da doença, que incluem a eliminação de possíveis criadouros, é muito fácil encontrar o chamado lixo seco pelos “quatro cantos” da cidade. Além de aumentar a proliferação do mosquito transmissor da dengue, tais materiais servem de abrigo para animais peçonhentos e entristecem a paisagem urbana. Mas por que Bauru não consegue destinar corretamente o que já não serve mais para a população?

Para o ambientalista da Associação dos Transportadores de Entulhos e Agregados de Bauru (Asten) e coordenador de meio ambiente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Bauru Kláudio Coffani Nunes, isso acontece por uma junção de fatores. Primeiro porque não houve uma divulgação maciça dos ecopontos, lugares destinados ao descarte correto e gratuito de diversos tipos de materiais.

“Isso é uma necessidade. É preciso fazer campanhas sobre os ecopontos, principalmente na região onde eles estão instalados, nas escolas, igrejas e soltar panfletos nas casas. É uma dinâmica que deve ser feita pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma)”, observa.

Em segundo lugar, Kláudio aponta a falta de fiscalização e punição como incentivo para a população descartar o entulho em lugares indevidos. “As pessoas acreditam que podem despejar o seu lixo em qualquer lugar que não serão punidas. Uma política ambiental precisa de educação e fiscalização ambiental séria. Infelizmente, Bauru está falhando nesses aspectos”, opina.

Ainda sobre o assunto, o ambientalista lembra que houve concurso público para a contratação de fiscais ambientais há mais de um ano, mas até hoje esses profissionais não foram contratados. 

‘100 minilixões’

De acordo com Kláudio, em 2005 a Semma fez uma pesquisa que mapeou quase 100 locais onde a população costumeiramente joga seu lixo. A pesquisa também identificou que as pessoas se habituam a descartar o material mesmo quando há a limpeza do terreno.

“É uma péssima tradição da população que pode ser combatida com fiscalização. Identificado o terreno com o problema, o dono deveria ser notificado para cercá-lo, conforme prevê o código municipal de saneamento. Depois deve haver fiscalização, inclusive por meio de denúncias”.

 

Comentários

Comentários