Bairros

Família celebra Dia do Ferroviário

Mariana Gasparini Especial para o JC
| Tempo de leitura: 3 min

Hoje, dia 30 de abril, é comemorado o Dia do Ferroviário, data que pode ser pouco lembrada por alguns, mas diariamente comemorada pela família Franzoi, de Bauru. O pai, Carlos Alberto Franzoi, 51 anos, maquinista há 25, conseguiu passar sua paixão aos dois filhos, Eduardo e Everton, e para seus sobrinhos, Leandro e Luiz. “Essa vontade de estar entre os trens vem desde o meu pai, que era mecânico e trabalhou neste ramo de 1954 a 1977. Eu trabalhava no banco, mas resolvi largar devido à estabilidade que trabalhar com os trens nos dava. Já os meninos cresceram me vendo viajar e contar várias histórias, então acho que a vontade e a curiosidade pela profissão vieram naturalmente”, explica Carlos Alberto.

O encantamento pelos trens era tanto que Eduardo, 25, e Everton, 23, iniciaram a faculdade e saíram de seus cursos para seguir a vida nos trilhos. “Eu fazia educação física, mas quando me chamaram para trabalhar aqui larguei a faculdade no terceiro ano, mesmo caso do meu irmão, Eduardo, que quase se formou em sistema de informação, mas veio trabalhar nesta área também”, conta Everton. Já Leandro, 26, e Luiz, 24 resolveram acompanhar o tio e os primos. “Trabalhamos juntos e é um ambiente muito bom. Às vezes, acontece de um estar em um trem, e o outro logo atrás”, diz Leandro.

Desde o início da linha férrea em Bauru, em 1906, muita coisa mudou. As antigas estações de trens, antes lotadas, agora sentem a ação do tempo. As composições, que antes carregavam passageiros, agora são ocupadas por cargas. Carlos Alberto gostaria de ver o transporte ser mais valorizado, mas afirma que, desde 2006, quando a América Latina Logística (ALL) ganhou a concessão da Brasil Ferrovias e Novoeste Brasil, muita coisa já melhorou. “Além de gerar muitos empregos e fortalecer a economia, espero que possa avançar cada vez mais e voltar a ser o que era antes”.

‘Crianças gostam’

Quanto à profissão, a família explica que muitos acham uma novidade. “É engraçado porque, pela nossa idade, muitos não acreditam que trabalhamos neste ramo. Tem gente que acha que os trens não existem mais”, explica Luiz. Ser maquinista também é motivo de sucesso. Eduardo conta que as crianças são as que mais gostam. “Tem gente que nos acompanha pelos trilhos e acena, filma ou tira fotos. E isso é muito bacana, nos orgulha mais ainda da profissão que escolhemos”.

Comemoração

A Secretaria Municipal de Cultura, em parceira com a ALL, realiza hoje, a partir das 9h, um café da manhã para cerca de 40 ex-ferroviários na Unidade de Produção da ALL, localizada na rua Alfredo Maia, s/nº, na Vila Falcão. O evento “Portas Abertas Especial - Ex-Ferroviários” ainda terá em sua programação um passeio de Maria Fumaça, às 10h, ao Museu Regional Ferroviário, que fica na quadra 1 da rua Primeiro de Agosto. Após a visitação todos retornarão à empresa, onde haverá mais homenagens e sorteio de brindes.


Desde a primeira linha

A data em que se comemora o Dia do Ferroviário marca a inauguração da primeira linha ferroviária do Brasil que teve como passageiro o imperador Dom Pedro II, há 159 anos. Em Bauru, no ano de 1905, a Estrada de Ferro Sorocabana, que ligava Bauru a São Paulo, era a responsável pela maioria dos empregos e crescimento populacional da cidade. No ano seguinte, a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) inaugurou o trecho de Bauru-Avaí e tinha como destino Cuiabá e posteriormente Corumbá, ambas em Mato Grosso, sendo esta última com 1.600 km de extensão.

Em 1910, a cidade possuía um dos maiores entroncamentos ferroviários do interior do continente graças à chegada da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Quase 30 anos depois, todos os embarques e desembarques foram centralizados na recém-inaugurada estação Noroeste e, em 1961, todas as ferrovias do estado de São Paulo foram extintas pelo governo dando origem às Ferrovias Paulistas S.A. (Fepasa).

As atividades de trens de passageiros da Noroeste tiveram sua última atuação em 1995 e toda a malha férrea, que pertencia à Fepasa, foi concedida à iniciativa privada e os trens que chegavam na Companhia Paulista chegaram à estação pela última vez, com passageiros, em 2001.

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