Internacional

Após 49 anos em operação no país, Morales expulsa agência dos EUA


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O presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou ontem a expulsão do país da chamada Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (Usaid, na sigla em inglês), que operava ali desde 1964. De acordo com o boliviano, a agência do governo americano conspira contra o seu governo, ao lado da embaixada dos EUA na capital La Paz.

“Não faltam algumas instituições da Embaixada dos EUA [para] continuar conspirando neste processo contra as pessoas e, especialmente, o governo nacional. Por isso, aproveitando, em 1º de Maio, quero informar-lhes que decido expulsar a Usaid da Bolívia. A Usaid vai embora da Bolívia”, disse Morales.

O anúncio foi feito durante uma comemoração pelo Dia do Trabalho, na praça das Armas, em La Paz.

Em 2008, Morales expulsou a Usaid da região do Chapare, produtora de coca e bastião político do presidente. Naquele mesmo ano, o país também expulsou o embaixador americano no país Philip Goldberg por suspeitas de interferências em assuntos internos.

“Nunca mais a Usaid, que vai manipulando, que vai utilizando nossos irmãos dirigentes, que vai usando a alguns companheiros de base com esmolas”, disse.

Morales já havia anunciado na semana passada que analisaria com profundidade a permanência da Usaid e da embaixada americana no país. O imbróglio foi detonado por declarações feitas pelo secretário de Estado americano, John Kerry, ao Congresso americano nas quais ele chamou a América Latina de “quintal dos fundos” dos EUA.

Na ocasião, Morales disse que manter relações com os EUA é “desejável, mas não definitivo dentro das nossas políticas econômicas”. “Foi uma aberta provocação contra, primeiro, os países da Alba e, segundo, contra os países com dignidade e com muito orgulho de terem se libertado”, disse.

Morales pediu ao chanceler David Choquehuanca que comunique à embaixada dos Estados Unidos “a expulsão da Usaid (...) este instrumento que ainda tem uma mentalidade de dominação, de submissão”.

Hoje, ele afirmou que a expulsão é “um protesto ante a mensagem do chanceler dos EUA”.

 

 

 

Aumento salarial de 20%

 

O presidente da Bolívia, Evo Morales, assinou ontem um decreto para aumentar seu salário em 20%, até os 18 mil bolivianos (aproximadamente R$ 5.220), com o argumento de que “foi pressionado” a fazer isso para permitir um aumento dos salários dos profissionais do Estado.

Morales disse em discurso na porta do Palácio do Governo, em La Paz, que “não gosta” da ideia de aumentar o salário, que até agora era de 15 mil bolivianos (aproximadamente R$ 4.350), mas que se sentiu obrigado a fazê-lo.

O presidente explicou que profissionais que trabalham para o Estado, como docentes universitários, pediram um aumento de salário porque na Bolívia os empregados estatais, salvo casos excepcionais em empresas estratégicas, não podem ganhar mais do que o presidente.

Morales insistiu que as universidades estatais estão perdendo seus melhores profissionais porque não tiveram aumento desde 2006.

“Não gosto, mas fui obrigado depois que entendi que nossos profissionais não vão para o setor privado”, ressaltou.

Os 15 salários mínimos somam neste ano US$ 2.500. Ao chegou ao poder em 2006, Morales aprovou, em sinal de austeridade, o rebaixamento do salário presidencial à metade, a quase US$ 2.000.

Morales também anunciou ontem, por decreto, o primeiro aumento em 11 anos para os empregados das entidades governamentais. O setor se beneficiará com um aumento de 8% da massa salarial, porém com uma fórmula que permitirá aumentar até em 13% os que ganhem menos e 7% aos cargos diretores.

 

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