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Futsal: ?seria prazer encerrar a carreira em Bauru?

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 5 min

Malavolta Jr.

Falcão cita importância do esporte na cidade

O craque Falcão, atualmente no Intelli/Orlândia, e com diversos títulos pela Seleção Brasileira, esteve em Bauru na tarde de ontem para a inauguração da 23ª escolinha da franquia “Centro de Treinamento Falcão 12”, no Colégio Cisne Real.

Aos 35 anos, Falcão falou ao JC sobre seu futuro na modalidade e revelou que deve se aposentar jogando em seu próprio time. Já existe um projeto, encabeçado pelo atleta com uma multinacional japonesa, e Bauru não está descartada para receber a nova equipe – que pode se unir ao time atual da cidade, a FIB, que recebeu elogios do atleta pelo projeto que vem sendo desenvolvido desde 2007.

O único empecilho é a falta de um ginásio com capacidade maior. A ampliação da Panela de Pressão é inviável, e o Ginásio da FIB, o único com as dimensões do futsal, possui pouco espaço. A única solução seria a construção de um novo ginásio, na Avenida Nações Unidas Norte, que receberia também outras modalidades.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista de Falcão.

Jornal da Cidade – Existe um projeto que será desenvolvido diretamente por você quando encerrar a carreira? Pode ser em Bauru?

Falcão – Bauru é uma cidade que abraçou o esporte, precisa se mobilizar para ter um ginásio maior. A cidade tem hoje o basquete, que é um sucesso e poderia ter mais gente vendo os jogos finais do NBB, o futsal crescendo, mas o ginásio também é pequeno. A gente tem um projeto, Bauru é uma grande cidade. Precisa ter força de vontade, se quiser faz um ginásio em menos de um ano, pois isso é necessário para um projeto de porte para abrigar o futsal e o basquete. Pretendo encerrar a carreira jogando neste time, se a cidade tiver um ginásio legal para receber o projeto, pode ser aqui, seria um prazer encerrar a carreira atuando em Bauru.

JC - Quando se fala em futsal no Brasil, ainda se pensa muito no Sul e em São Paulo.

Falcão - O futsal é muito forte no Brasil inteiro, mas como o País é muito grande, os estados do Norte e Nordeste acabam ficando fora dos holofotes da mídia, e a maioria dos times acaba sendo formados de Belo Horizonte para o Sul, mas de Minas Gerais para lá também existem grandes empresas, pessoas que gostam, mas que ainda são pouco divulgados aqui. O futsal é o esporte mais praticado no Brasil, em qualquer lugar tem uma quadra, e é a modalidade com mais clubes em uma liga brasileira, hoje são 19 clubes na Liga Futsal e na Liga Paulista.

JC - Aliás, este ano você jogou em Bauru pela primeira vez, em um amistoso na pré-temporada, em fevereiro, entre seu time (Orlândia) e a FIB. Gostou da estrutura?

Falcão - Gostei da cidade, e vemos que as pessoas gostam de esporte, basta ver o sucesso do basquete. Uma pena que a Panela de Pressão não tenha dimensões para o futsal, o ginásio em que nós jogamos no começo do ano (FIB) é pequeno. Mas é um passo de cada vez, os patrocinadores da região tem que ver o futsal como um esporte viável, o projeto de Bauru está no caminho certo, mas precisa de uma quadra maior.

JC - Você mudou de time três vezes nas últimas temporadas, mas conseguiu bons resultados, que é o mais importante.

Falcão - Isso é o principal, sair sempre de portas abertas dos times. Felizmente consegui ir bem nos clubes onde passei, foram três equipes diferentes com bons resultados, disputei a final da Liga Futsal nas últimas oito temporadas. Tenho 35 anos, e quero jogar em alto rendimento até encerrar a carreira, não tem uma previsão, mas a ideia é jogar neste ano e mais três.

JC - No Santos, o projeto começou bem, mas durou pouco. Este é um problema ainda no Brasil.

Falcão - Principalmente em clubes de futebol, que “começam para acabar”. Quando investem em outros esportes, sempre que aperta financeiramente, cortam as outras modalidades. Os clubes-empresa, dentro do vôlei e do futsal, são o melhor modelo, principalmente em cidades do Interior.

JC - A Seleção Brasileira ainda te motiva?

Falcão - Com certeza, no ano passado conseguimos o título mundial com todos os problemas, tive aquela paralisia facial, depois lesão na panturrilha, mas conseguimos o título. Eu não tenho planejamento porque eu não consigo negar a Seleção Brasileira, enquanto estiverem me convocando eu vou (risos).

JC - Você está com uma leve lesão muscular, se recupera a tempo de enfrentar a FIB, no dia 22, aqui em Bauru?

Falcão - Já volto a jogar na semana que vem, está tudo certo. Esse jogo em Bauru é na última rodada, então talvez o time poupe alguns jogadores, talvez eu não atue. Mas vamos brigar forte pelo título e pela artilharia também (atualmente o artilheiro é o ala Murilo, da FIB, com 13 gols, dois a mais que Falcão).

JC - Você tem familiares na região, tem vindo muito para cá?

Falcão - Meu pai é de Santa Cruz do Rio Pardo, e até os meus 20 anos eu ia muito para lá. Depois fui jogar no Sul, acabei vindo menos para essa região, mas tenho familiares lá.

JC - Um deles, o Victor Hugo (lateral esquerdo) até jogou no Noroeste em 2011, esse ano defendeu a Santacruzense na Série A-2.

Falcão - Realmente, o Victor é meu primo de segundo grau, já vi jogando, é bom de bola. Não sabia que ele tinha passado pelo Noroeste, mas bacana que ele atuou aqui já.


A escolinha

O projeto, que começou em Jaraguá do Sul/SC, pretende chegar a cem franquias até o final do ano – a de Bauru, em parceria com o Colégio Cisne Real, é a 23ª, e ainda ontem Falcão inauguraria uma unidade em Botucatu.

O mantenedor do colégio, William Bornia Jacob, destacou a importância da escolinha, que atenderá alunos do Cisne Real e posteriormente, interessados de fora do colégio (ao preço de R$ 70,00). “Todas as gerações possuem alguns ídolos, e o Falcão é um ídolo para o pessoal mais novo. Quando eu era mais novo, existiam mais campos de futebol, clubes como o BAC e o Luso, que não existem mais com suas sedes na cidade, ou seja, hoje temos poucos espaços para a juventude praticar esporte, e a escolinha será uma oportunidade para eles”, cita Jacob.

 

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