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Queimadas começam, mas ar em Bauru tende a melhorar

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

Quioshi Goto

Pôr-do-sol, ontem, na estrada que liga Bauru a Piratininga, na região do rio Batalha, revela o tempo seco, típico desta época

Levantamento realizado pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) aponta um paradoxo em Bauru. Apesar do início do período de estiagem, quando as queimadas preocupam e a população mais sofre com o tempo seco, o ar na cidade deve melhorar. Tudo por conta do ozônio, poluente que, segundo o órgão, é o que mais prejudica a qualidade do ar no município.

O estudo da Cetesb foi realizado no Estado inteiro. Em Bauru, o posto de monitoramento funciona na Vila Souto. As medições analisaram três principais componentes poluentes: partículas inaláveis, hidróxidos de hidrogênio e o ozônio.

“Nos dois primeiros quesitos, Bauru passou quase todos os dias de 2012 com a qualidade do ar no nível bom. Por poucos dias, ficou no regular”, explica a gerente da divisão de Qualidade de Ar da companhia, Maria Helena Martins.

Já com o ozônio, foi diferente. Foram 202 dias bons e 157 regulares. Em três ocasiões, o nível de ozônio no ar chegou a ficar inadequado. “O nível regular causa algum desconforto em pessoas mais sensíveis, ou seja, aquelas que têm alguns problemas respiratórios podem ter tosse e ficar mais cansadas”, explica.

Mas, curiosamente, a concentração de ozônio tende a diminuir no período de estiagem. É que, segundo a técnica da Cetesb, o poluente se forma na atmosfera, principalmente, por conta de questões climáticas. “A formação do ozônio ocorre por conta da luz solar e de temperaturas elevadas. Ela se origina das inúmeras poluições do homem, mas sua formação é realmente por conta das condições meteorológicas”.

Assim, há mais concentração de ozônio na primavera e verão do que no outono e no inverno. E, de acordo com Maria Helena Martins, os picos de concentração são registrados no período compreendido entre 13h e 17h.

Mas e a estiagem? Normalmente, entre julho e outubro, não é quando a população mais reclama da má qualidade do ar? Nessa época, o tempo fica mais seco e aumentam as queimadas, o que faz as pessoas sofrerem mais.

“Isso entra na análise das partículas inaláveis do estudo. Tem mais poeira no ar. Porém, a análise aponta que, nesse quesito de poeira, o ar em Bauru ainda ficou predominantemente bom e poucos dias regulares”, finaliza a gerente da divisão de Qualidade de Ar da Cetesb.

Já começou

Porém, se as queimadas não foram suficientes para piorar o ar de Bauru, elas já preocupam o Corpo de Bombeiros. Segundo o comandante do posto, tenente Victor Félix Tozin Bonfim, o problema, inclusive, já começou.

Segundo apurado pelo JC, os bombeiros já atendem uma média de dez ocorrências diárias de queimadas em mato. “No período crítico, que é entre julho e outubro, atendemos entre 40 e 50 ocorrências por dia. Porém, este ano, a estiagem começou mais cedo”.

O diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag, explica que as pessoas que mais sofrem com o ar de Bauru realmente são as que têm problemas respiratórios, como asma e bronquite.

“Tivemos um aumento de demanda grande aqui no Pronto-Socorro, justamente por conta da dengue. Então, não foi possível verificar se aumentou o número de pacientes por conta já da estiagem”, explica.


Ozônio bom X ozônio ruim

O ozônio, segundo a Cetesb, é o que mais preocupa no ar de Bauru. Porém, qual a diferença do ozônio, cuja concentração grande prejudica, com o ozônio que protege a população dos efeitos do sol?

“Nenhuma”, é o que explica a gerente da divisão de Qualidade de Ar da Cetesb, Maria Helena Martins. Segundo ela, quimicamente, é o mesmo composto. “O que muda é onde o ozônio está”.

O ozônio que fica na estratosfera é o responsável por proteger animais, plantas e seres humanos dos raios ultravioleta emitidos pelo sol. Diversas substâncias, principalmente as emitidas por aerossóis, têm destruído essa camada protetora.

Já o ozônio, quando concentrado na superfície terrestre (o que é medido pela Cetesb), contribui para agravar a poluição do ar das cidades e também aumenta a probabilidade de chuva ácida.


Umidade do ar

Um dos fatores do ar que a população mais sente é a umidade. No tempo seco, mesmo o estudo da Cetesb mostrando que o ar não fica inadequado em Bauru, a população sofre com cansaço e os problemas respiratórios.

De acordo com o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a umidade relativa do ar chegou ao mínimo de 37%, ontem às 15h10.


Ocorrências consomem tempo dos bombeiros

Hoje, em Bauru, os bombeiros possuem três viaturas de combate a incêndios e um caminhão de água. Além disso, conta com uma aeronave para combater casos de grande proporção. Mesmo com essa frota, as queimadas na época de estiagem consomem o tempo da corporação.

“Cada caso de fogo em mata é preciso empenhar uma viatura por, uma média, de uma hora. É uma viatura que poderia estar apagando um incêndio em residência ou fazendo um salvamento, por exemplo”, explica o tenente Victor Félix Tozin Bonfim.

Ontem mesmo, a reportagem do JC flagrou queimadas ao lado do Recinto Mello de Moraes, no Jardim Ferraz. Os bombeiros foram até o local para controlar o fogo.

Fora tomar esse tempo precioso, há também o risco de o fogo em mato evoluir para algo mais grave. “Com esse tempo seco, é comum o fogo se espalhar rápido e chegar até uma casa”.

Assim, Tozin pede a colaboração das pessoas. “Muitos querem limpar o terreno, juntam o mato e ateiam fogo. Não devem fazer isso. É algo perigoso. Outra causa que vemos muito é a bituca de cigarro. Quando jogada em um matagal, vira um foco de incêndio”, completa o tenente.

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