O ministro do Esporte Aldo Rebelo disse ontem em Agudos que algumas obras de mobilidade urbana planejadas para a Copa do Mundo de 2014 não serão entregues até a realização do Mundial em julho de 2014. A realização do Mundial de Futebol da Fifa no Brasil em 2014 tem 12 cidades-sede que receberão as partidas a partir do dia 12 de junho, quando o Brasil estreia no Itaquerão em São Paulo. “O importante é destacar que as obras de mobilidade urbana serão entregues independentemente do prazo da Copa do Mundo. Ou seja, são obras para as cidades-sedes, para beneficiar a população”, amenizou.
Ao definir que o planejamento do governo federal previu a entrega para a Copa, Rebelo acrescentou que aquelas obras de mobilidades não concluídas ou mesmo não realizadas serão retiradas da Matriz de Responsabilidades do Mundial. “E serão entregues um pouco tempo depois”, argumentou.
O ministro diz que acompanha com os prefeitos e governadores a realização das obras de mobilidade. Citou que as obras de Recife (PE) têm previsão de entrega de 100% ainda neste ano, estando bem adiantadas, como em alguns outros municípios. Mas boa parte dos projetos na área de transportes vai ficar para depois.
Dados do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi) revelam que dos R$ 7,07 bilhões previstos pelo governo federal para investimento em mobilidade urbana para a Copa, foram liberados, até o momento, apenas R$ 300,2 milhões, o que corresponde a menos de 5% do volume de recursos.
O ministro ameniza a responsabilidade da União na realização das obras de mobilidade. Rebelo lembra que as construções são de responsabilidade, em sua maioria, das prefeituras, e a minoria compromisso dos governos estaduais. Lembrou ainda que a União ajuda com financiamento para as obras.
Picão de Agudos tem mobilidade urbana
O ministro Aldo Rebelo veio a Agudos (13 quilômetros de Bauru) ontem para assinar o convênio de repasse de R$ 1 milhão do governo federal para a prefeitura finalizar o Estádio Municipal Antonio Maury da Silva, o Picão, que terá capacidade para 11 mil espectadores sentados e prazo de conclusão para julho de 2014. Já foram investidos R$ 480 mil do governo estadual na obra do estádio, que tem 25% da construção finalizada.
Enquanto as obras de mobilidade nas 12 cidades-sedes da Copa caminham a passos lentos, para chegar ao Picão leva-se poucos minutos. Do acesso da Duratex, no trevo de entrada da cidade na rodovia Marechal Rondon (SP-300), são exatos três minutos pela avenida Richard Freudenberg, via de pista dupla.
De frente ao estádio há uma quadra poliesportiva, praça com aparelhos para exercícios ao ar livre, pista de skate e o Posto de Saúde Moussa Tobias. Ao ser reeleito no ano passado, o prefeito Éverton Octaviani (PMDB) projetou implantar a nova rodoviária de Agudos, considerada acanhada pelo peemedebista, para um terreno na avenida Richard Freudenberg, que seria interligada com a avenida Carvalho Pinto, dentro de um conjunto das novas obras de mobilidade urbana para a cidade de Agudos.
Éverton garantiu que o estádio reposiciona a prática esportiva em Agudos porque estará aberto à população, recepcionará grandes eventos e um time de futebol para a disputa das divisões de acesso do futebol paulista – Série B, Série A-3 e A-2. “A obra vem para marcar época”, finaliza. O estádio terá formato de ferradura com parte de suas arquibancadas cobertas.
O nome: Picão
Antonio Maury da Silva, conhecido em Agudos e região como Picão teve grande envolvimento com futebol profissional em Agudos. Ele é avô materno do atual prefeito Éverton Octaviani. A filha do homenageado, Marisa Aparecida Octaviani, mãe do prefeito de Agudos, relembra que seu pai jogou com Pelé no time do Bauru Atlético Clube (BAC). Ela comenta que seu pai trabalhou por anos na cervejaria Brahma de Agudos, onde defendeu o Brahma Esporte Clube ganhando diversos títulos. Conforme Marisa, Antonio Maury da Silva faleceu em 1995.
Correria em obras
Em São Paulo, as obras de mobilidade perdem para o estádio que na semana passada teve sinal verde em teste de segurança de parte de sua arquibancada. Já o entorno e acesso ao Itaquerão levará mais tempo. Segundo o governo estadual, o prazo para o término da construção de todo o sistema viário no entorno do estádio é março de 2014 e o custo das obras da segunda fase é R$ 61,4 milhões.
Na segunda etapa, o cruzamento da avenida Jacu Pêssego com a Nova Radial Leste, serão construídas alças viárias de ligação. Quando finalizada, essa obra vai facilitar o acesso à Marginal Tietê, à Rodovia Ayrton Senna e ao Rodoanel. Estão previstas também a construção de uma passarela, que fará a ligação da região norte do bairro de Itaquera com o futuro estádio, passando sobre os trilhos do trem e metrô.
Tem obra de mobilidade urbana que nem com a União financiando por meio da Caixa sairá do papel. Exemplo disso é o corredor da avenida Cândido de Abreu, em Curitiba, cidade-sede de jogos da Copa do Mundo, onde as partidas serão realizadas no estádio Arena da Baixada.
Anunciada em meados de 2010, a avenida deveria ser entregue em março de 2012. A obra era uma das sete prometidas pela prefeitura de Curitiba e receberia financiamento do banco estatal de R$ 4,9 milhões. Portanto, do total de cerca de R$ 5,15 milhões do custo da obra, menos de 5% sairia imediatamente dos cofres da administração municipal.
A prefeitura já pediu a exclusão do corredor viária da Matriz de Responsabilidades do Mundial alegando que a avenida terá seu custo quintuplicado. Relatório atualizado do Tribunal de Contas do Paraná (TC-PR) constatou que as 18 obras de mobilidade urbana financiadas pelo PAC da Copa em Curitiba e região metropolitana permanecem atrasadas. O acompanhamento do TC-PR é datado do último dia 23 de abril.