Tribuna do Leitor

Democracia, homofobia e Estado Laico


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Tenho a impressão que o Brasil se encontra dividido em dois blocos. O primeiro composto de LGBTs e simpatizantes e o segundo composto de homofóbicos, sendo que todo aquele que não se enquadra no primeiro, automaticamente é inserido compulsoriamente no segundo. Todos os não simpatizantes da causa gay hoje são jogados na vala comum daqueles que desrespeitam, violentam e discriminam os homossexuais, sobretudo os religiosos que têm sofrido grande pressão para "adaptarem" as suas bíblias à nova realidade.

Curiosos também são os discursos acerca da representatividade do deputado Feliciano. Ele não me representa, porém representa uma parcela considerável da nossa sociedade que o elegeu, e como religioso leva consigo as suas convicções e daqueles que lhes confiaram o voto. Não brigávamos há alguns anos atrás pela democracia? Pois é, agora que a alcançamos não conseguimos reconhecê-la. Elegemos o Sarney, o Genuíno, o Renan e todos aqueles que decidiram manter o Pastor Feliciano à frente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias.

O Estado laico não é concebido na base da canetada, nem retirando crucifixos dos órgãos públicos ou o nome de Deus das cédulas de real. O Estado laico também passa pelo crivo da democracia, e só será laico de fato quando os brasileiros, democraticamente, assim decidirem através das urnas.


Alan Alves

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