A profissão de professor era tida como uma tradição de família brasileira. Ter uma filha ou um filho na Escola Normal Livre, na segunda metade do século XX, era motivo de orgulho, pois acreditava-se que tratava-se de um serviço não só em benefício pessoal mas em prol da coletividade, numa época que estudar era privilégio. Ter o Ensino Fundamental (Ginasial) ou Ensino Médio (Colegial) era considerado uma grande vitória num país de analfabetos. Faculdade era apenas para a classe alta ou alguns poucos que conseguiriam se superar. Em Bauru, a primeira faculdade foi a Instituição Toledo de Ensino, no ano de 1952. Em 1953, a fundação da Faculdade de Filosofia e Ciências e Letras, com os cursos de História, Geografia, Pedagogia, Filosofia e Letras. As exigências do mercado de trabalho aumentaram com a globalização. Ensino Médio ou profissionalizante é o mínimo para a maioria dos empregos oferecidos. O número de faculdades aumentou, sendo o ensino superior exigido para diversas áreas, inclusive o Magistério. Ser professor sempre exigiu uma dedicação quase que 24 horas, pois o trabalho deste profissional não se restringe à sala de aula e sim a momentos de preparação e de pós-aulas com correções. Todos nós sabemos que estar numa sala de aula tem sido uma tarefa estressante, pois lidar com crianças e adolescentes do século XXI com interesses diversos e comportamentos variados (até violência) tem afastado os futuros profissionais da educação que não vêem perspectiva de trabalho num ambiente em que está sujeito a levar desde ofensa verbal até física e ver seus bens, como veículo, instrumento de trabalho, serem depredados. Sabemos que lidar com pessoas é difícil, mas muitas vezes perguntamos: com quem estamos lidando? Pois educar é um ato de dentro para fora, precisa haver aceitação de quem está sendo educado, caso contrário, como diz o ditado popular: "É jogar pérolas aos porcos", ou seja, muitos querem aprender, mas aqueles que atrapalham dominam a situação e aí fica inviável. Os professores estão se sentindo acuados e já se tem reflexo na falta de professores. Cada vez mais as escolas não conseguem substitutos e as faculdades que oferecem cursos relacionados ao magistério têm diminuído a procura. Muitos começam, mas desistem nos primeiros anos da carreira. A sociedade precisa se mobilizar e cobrar das autoridades providências, pois as propagandas sobre o magistério e a educação têm muita coisa a ser esclarecida. Magistério, profissão indispensável, mas perigosa.
A autora, Marcia Regina Nava Sobreira, é professora e colaboradora de Opinião