Tribuna do Leitor

Ao meu amigo (Pe.) Beto, à minha Diocese


| Tempo de leitura: 3 min

Tive a oportunidade de conhecer "padre" Beto em 2001 quando ele estava voltando da Alemanha para assumir como vigário na Paróquia Santa Terezinha. Eu também estava mudando para Bauru naquele mesmo ano com minha família: meu esposo e meus quatro filhos. A mudança causou uma adaptação muito difícil para mim, eu diria até traumática e procurei um orientador espiritual. Por trabalhar e morar próximo à Paróquia Santa Terezinha, comecei a frequentar essa paróquia e foi-me sugerido a pessoa do padre Beto para meu diretor espiritual.

Confesso que a maneira do então padre Beto era muito acolhedora e ajudou-me e muito a superar meus conflitos nesse momento tão difícil. E não somente nesta ocasião como também em outras nas quais grandes e importantes decisões deveriam ser tomadas para o futuro da minha empresa, mesmo ele não fazendo mais parte desta paróquia. Seus conselhos foram perfeitos e trouxeram consequências muito positivas tanto para a minha vida pessoal como para a minha empresa. Não posso dizer que ele era somente um "diretor espiritual", porque ele tornou-se para mim um amigo, um irmão, um pai, um filho. E uma vez amigo, amigos para sempre. Porém, muitas vezes conversamos a respeito de suas idéias contraditórias com relação às doutrinas da Igreja. Participava de suas missas e sabia discernir perfeitamente o que era doutrina da Igreja de suas opiniões pessoais. Sou católica, a princípio por convicções de meus pais, hoje adulta, por minha própria decisão e escolha, tendo portanto um conhecimento bastante claro da doutrina da minha Igreja.

Meu amigo (pe.) Beto, não pequei por omissão. Pelas evidências dos fatos, sabia que um dia esse dia chegaria, como chegou, e eu o adverti por isso há alguns anos atrás. Mesmo te admirando muito, em nenhum momento minhas convicções foram abaladas e nem duvidei do magistério da Igreja. Porém, com suas opiniões contrárias aos seus dogmas, você colocou a Igreja numa situação muito difícil: ou ela concorda com você, reavaliando os seus dogmas (porém, a Igreja não está em dúvida sobre as verdades que ela professa) ou então você retrocederia em suas idéias próprias retratando-se publicamente. A escolha seria tão somente sua.

No evangelho de São Mateus, capítulo 12, versículo 25, Jesus diz: "... todo reino dividido em si mesmo será destruído. Toda cidade, toda casa dividida contra si mesma não pode subsistir." As ovelhas são guiadas pelo pastor e elas precisam de orientações claras e precisas e não contraditórias. Você pode falar, pensar e agir como bem quiser e tirar as conclusões que bem entender. Porém, enquanto padre e pastor do rebanho da Igreja, suas orientações devem estar em comunhão com Ela, para não ser causa de divisão no reino de Deus. Por isso a Igreja teve que tomar uma posição tal radical com você... e a escolha foi sua. Você decidiu não retroceder diante da autoridade de seu Magistério. E a Igreja deveria se omitir? Continuarei fiel à minha Igreja e aos seus pastores. Porém, não deixarei de pensar em você com todo carinho, respeito e zelo que sempre tive e sempre terei por você. Que essa luz que eu vi brilhar em você e posso dizer que é a luz de Deus, continue a brilhar em você, iluminando os seus pensamentos. E eu posso dizer que essa luz foi um presente de Deus para mim, através de seu ministério sacerdotal.

Amor com amor se paga e, como diz São Paulo: "Ninguém fiqueis devendo coisa alguma a não ser o amor recíproco". E essa "dívida" de amor que tenho para com sua pessoa será paga pelo próprio Deus. E esse será o meu presente e o meu muito obrigado a você. Te quero muito bem, ontem, hoje e sempre. Um grande abraço.


Márcia Regina Manechini Gonzalez

Comentários

Comentários