Não há segredo. É com trabalho político mesmo. É preciso dobrar o salário dos professores! É preciso diminuir pela metade o número de alunos por sala de aula! Não há outro caminho senão esse. Os prefeitos recém-eleitos precisam aumentar significativamente o salário docente, para que aumente a qualidade educacional em seus municípios. Os prefeitos precisam fazer cair pela metade o número máximo de alunos por sala de aula, para que caia a precariedade da educação municipal. São duas ações muito pontuais: aumento salarial e diminuição de alunos por sala. São dois objetivos nítidos e bem delimitados que, se postos em prática, têm o poder de revolucionar a educação municipal.
O piso nacional de salário dos professores é vergonhoso. Não passa de R$ 1.500,00. É óbvio que nenhum profissional que tenha ensino superior vai trabalhar motivado recebendo salários tão baixos. O exemplo vem do exterior: todos os países sérios pagam salários altíssimos a seus mestres. Os Estados Unidos e a Finlândia, por exemplo, têm as melhores educações do mundo. E ambos motivam seus professores por meio de salários invejáveis, salários dignos de um educador de verdade. A fórmula é certeira: pague salários altos aos professores e esses professores revolucionarão a escola! Os prefeitos precisam aprender essa fórmula. Precisam aumentar, se possível dobrar, os vencimentos docentes e, então, verão esses profissionais se doarem com muito mais empenho e competência em suas atividades diárias. Um pequeno aumento de salário garante um pequeno aumento na educação. Um grande aumento salarial com certeza gera uma revolução educacional.
Por outro lado, as salas de aula atuais mais parecem depósitos de seres humanos, é uma vergonha. Salas superlotadas, com mais de 20, 30 alunos. Às vezes até mais! É um absurdo. E é óbvio que não existe boa educação em salas lotadas, barulhentas, indisciplinadas. Não existe boa educação em salas onde o professor não consegue acompanhar a seus alunos de modo individualizado. O exemplo vem do exterior: todos os países avançados não jogam seus alunos nas salas como se fossem animais amontoados. Países sérios fazem acompanhamento individual de seus alunos. Pois cada discente tem uma necessidade intelectual/emocional diferente. A fórmula é certeira: faça salas de aula com no máximo 10 alunos e toda a escola sofrerá uma revolução nitidamente visível. Os prefeitos precisam aprender essa fórmula. Precisam diminuir, radicalmente, e com urgência, a quantidade de alunos em cada turma. Somente assim será possível suprir as necessidades individuais de cada educando. Acompanhar cada aluno para ser um ser humano melhor, um profissional melhor, enfim, acompanhar cada aluno para ser um cidadão exemplar, uma pessoa culta de verdade. Pesquisas pedagógicas comprovam o seguinte: quanto menor uma sala de aula, maior é a atenção, o interesse e o desempenho dos alunos.
As cidades do Interior são perfeitas para fazer uma boa educação. Pois são cidades pequenas. Os prefeitos devem aproveitar essa situação favorável. Já que a demanda de alunos é pequena, existem menos professores contratados. Por isso, no Interior é possível sonhar com salas de aula com poucos alunos; é possível sonhar com professores ganhando bem mais que o piso salarial nacional. Nas cidades grandes, por outro lado, a demanda é muito maior. É muito mais difícil fazer uma notável transformação educacional em cidades grandes. Mas já nas cidades pequenas, interioranas, essa realidade ainda é possível. E não existem segredos. É com empenho e seriedade dos políticos que se faz alguma coisa acontecer. É preciso cumprir essas metas básicas: dobrar o reconhecimento salarial dos professores e diminuir pela metade o número máximo de aulas por sala de aula. Se os prefeitos (e seus secretários de educação) conseguirem concretizar ao menos esses dois objetivos durante seus mandatos, com certeza seus municípios já verão uma revolução educacional acontecendo diante de seus olhos. Uma revolução que começa nas escolas. Mas que obviamente beneficia a sociedade inteira!
O autor, Wellington Anselmo Martins, é professor universitário, mestrando em Filosofia (PUC), graduado em Filosofia (USC) / am.wellington@hotmail.com