Tribuna do Leitor

Desabafo: povo santo e pecador


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Quando, na missa, falo e escuto a declaração "povo santo e pecador", sinto que essas palavras nunca estiveram tão latentes e necessárias como nos últimos acontecimentos da cidade. Peço licença para declarar minha indignação diante das opiniões rasgadas a respeito do padre Beto, da Cúria, etc. Pecamos ao declararmos e apontarmos nosso dedo indicador ao padre, que serviu aos fiéis, abençoando e orientando-os. Pecamos quando julgamos o posicionamento do reverendíssimo bispo bauruense, quando na situação dele não estamos. Todavia, é dolorido demais ver a excomunhão de um padre, servo, polêmico, mas que está a serviço do bem. Não estou confortavelmente assistindo à situação de cada ser envolvido, muito menos diante das diversas opiniões da comunidade bauruense. Estou triste, pois um membro da minha igreja foi desligado dela. As acusações, o julgamento de quem de direito o fez, a pessoa do padre Beto e a todos nós, seremos julgados por alguém que não há de julgar pelo nosso entendimento, nem pelo crivo dessa nossa existência tão efêmera. Pena ver e sentir o rancor nas palavras de tantas pessoas. O direcionamento dos fatos, a excomunhão, tudo num desenrolar de quinze dias... Quinze dias de condenação explícita na mídia atual, tão rápida. Agora, acredito que a infelicidade possa se espalhar por meio dela também. Que possamos realmente refletir mais e julgar menos. Se em paz, consigamos dormir bem.

Rosana U. Papassoni Salvador

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