A Inquisição foi um dos piores momentos da história da humanidade. Ela ocorreu na Idade Média e teve como personagem principal a Igreja Católica e foi um período onde se cometeu as maiores barbáries e injustiças contra todos aqueles que discordassem da opinião da Santa Madre Igreja. Muitos morreram queimados na fogueira. Com a evolução humana e, em clima de grandes transformações, a partir do Concílio Vaticano II, a Igreja, repensou em seus dogmas, dando outras reflexões aos mesmos, dando um sentido mais humano e social.
Se houve evolução no decorrer da história e da Igreja, nós povo brasileiro também evoluímos, tutelados que somos pela Constituição Federal do Brasil, a qual possui normas essenciais para garantir o mínimo existencial, o mínimo de dignidade da pessoa humana, e que, nos dá a liberdade de expressão, tão quanto proíbe a existência de tribunais de exceção, tão quanto protege a honra e a imagem das pessoas. Nesse sentido, como pode a Instituição Católica afrontar tais direitos, conquistados pelo ser humano em sua evolução, através das injustas punições aplicadas a um sacerdote pensador, como o Padre Roberto Francisco Daniel?
É certo que a Igreja possui suas normas baseadas no antigo Direito Canônico, embora tais normas sejam fiéis e literais aos dogmas católicos, o que não se pode, é deixar que tais normas, mal aplicadas e refletidas pelo corpo da Diocese de Bauru, conflitem com direitos constitucionais básicos da pessoa humana, como aludidos acima, mas sim, devem agir em harmonia, até porque o que impera em nosso Estado Brasileiro, são as normas e garantias constitucionais. Infelizmente, para a tristeza dos fiéis, tanto quanto da sociedade bauruense, a Diocese, além de macular a honra e a imagem de um sacerdote de respeito, além de proibir a reflexão do mesmo, a qual fora ensinada por Jesus Cristo, também criou um tribunal e excomungou-o sem respeitar o mínimo de seus direitos sem sequer ao menos lhe dar a chance de exercer o contraditório e a ampla defesa, já o punindo com a pena mais severa do clero na atualidade.
Se Jesus Cristo voltasse à Terra hoje em dia, nos leva a crer que seria punido tão quanto foi no passado, pois os sacerdotes que o julgariam parecem ser os mesmos (moralistas e hipócritas); seria também punido até mesmo porque pregou uma Boa Nova, uma mensagem de amor ao próximo, independente de raça, cor, credo, sexualidade, pois ensinava fariseus, samaritanos, mulheres (que à época eram excluídas), centuriões romanos (que adoravam à César), etc..., mostrando ao mundo, que somente podemos ser felizes, quando efetivamente amarmos uns aos outros. Para a época isso foi uma quebra de paradigmas, um choque de opiniões revolucionárias. Dogmas devem ser refletidos e não impostos, pois somos seres pensantes, e de respeito, afinal, somos humanos.
Ainda bem que na atual conjuntura, liberdade civil, política e religiosa, são três fontes da grandeza de nosso país, mas que devem caminhar sobre tetos separados, até porque todas essas liberdades visam assegurar a felicidade do ser humano, como fruto da vontade divina, mas que, por tristes exemplos de nossa própria história, a partir do momento em que se misturam, levam a injustiça praticada por pessoas más intencionadas, caso obtenham o poder, e quem dirá se tal poderio ainda concentrado, misturando religião e estado.
Com a decisão da saída do padre Beto, estamos deixando ir embora um dos maiores pastores que passou por aqui. Dono de uma extraordinária capacidade de comunicação, se tornou muito popular, o que, provavelmente causou inveja a muitos de seus pares. Com essa decisão, haverá frustação dos sonhos de muitos cristãos, muitos jovens que viam nas referências de suas missas, de seus escritos e de suas homilias, a possibilidade de ter esperança numa vida feliz e de muita paz. De experimentar um encontro com Deus.
Carlos Roberto Sette e Fernando de Oliveira Campos Filho