Internacional

Após dez anos, três mulheres reaparecem

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Reprodução de vídeo e Cleveland Police Department/Reuters

Amanda Berry e sua filha e Georgina, em foto de 2004

As famílias de Amanda Berry, Georgina DeJesus e Michelle Knight já haviam desistido de tentar saber o que acontecera com elas, desaparecidas há dez anos em Cleveland, no Estado americano de Ohio. Achavam que haviam morrido ou nunca mais seriam vistas. Até que, anteontem, Amanda, 27 anos, sequestrada aos 16 anos, foi a primeira a reaparecer.

Ela conseguiu escapar do cativeiro onde estava com as outras duas jovens e saiu para a liberdade.  Deu de cara com um vizinho, Charles Ramsey, que se espantou com um atitude de Amanda. “Percebi que algo estava errado quando uma menina branca correu para os braços de um negro”.

Charles Ramsey, o vizinho

“Ela chutava a porta e gritava: ‘Fui sequestrada. Estou aqui há muito tempo e quero sair agora’”, disse Ramsey a redes de TV locais.

Ele contou que, ao quebrar a porta, Amanda saiu acompanhada de uma criança de seis anos, que a polícia diz ser a filha nascida no período de cativeiro.

Pouco após ter escapado, Berry ligou para o telefone de emergência da polícia pedindo socorro. A gravação desta conversa, que foi divulgada pelas autoridades, capta a voz desesperada de Berry explicando que ficara confinada por dez anos.

“Estou aqui e agora estou livre”, dizia a jovem.

Georgina, 23 anos, sequestrada aos 14 anos e Michelle, 32 anos, sequestrada aos 21 anos,

A partir da esquerda os suspeitos, Ariel, Oneil e Pedro Castro, que foram presos pela polícia

foram liberadas em seguida, com a chegada da polícia. “A emoção sentida por todos foi indescritível”, disse Stephen Antony, do FBI.

Na noite de ontem, televisões locais mostravam que a vizinhança foi às ruas aplaudir carros de resgate.

Agora, a polícia americana está em busca de informações sobre os três irmãos que foram presos, acusados de mantê-las no cativeiro. Ariel Castro, 52 anos, era o dono da casa. Pedro, 54 anos, e Oneil, 50 anos, são suspeitos de coparticipação no crime.

O estado de saúde em que as vítimas foram encontradas não foi detalhado pelas autoridades locais.

O hospital que as atendeu para realizar exames e apurar sinais de violência sexual informou que elas já estão com suas famílias.

A identidade do pai da criança aprisionada com elas não foi declarada.

Amanda foi vista pela última vez, em 2003, saindo da lanchonete onde trabalhava, também em Cleveland.

Um ano depois, Georgina sumiu quando andava sozinha no caminho da escola.

O caso dela traz uma coincidência tétrica: o filho de Ariel Castro, o principal acusado, fez uma reportagem para um jornal local em que entrevistou a mãe de Georgina sobre o desaparecimento da filha, pouco tempo depois de ela ter sumido. 

Michelle nunca mais fora vista desde 2002, quando um boletim de desaparecimento foi registrado pela família.

A investigação ainda precisa completar as buscas na casa usada como cativeiro e os interrogatórios para entender como tudo ocorreu.

“Esse homem é alguém para quem você olha e não presta atenção. Ele só faz coisas normais. Não parecia haver nada incomum sobre ele até agora”, afirmou o vizinho Ramsey.

As três moças haviam desaparecido, ainda adolescentes, no mesmo bairro onde fica a casa.

Antecedentes

A polícia já havia sido chamada anteriormente em situações que envolviam a casa usada no cativeiro, segundo informaram ontem as autoridades.

Em 2004, seu proprietário, o motorista de ônibus escolar Ariel, foi questionado por ter abandonado uma criança em um dos veículos.

Mas os policiais não chegaram à conclusão sobre o que se passava na casa.

Denúncias

Mas Israel Lugo, um vizinho, disse ter ligado para a polícia em novembro de 2011, depois de sua irmã ver uma menina na casa segurando um bebê e gritando por socorro. Ele disse que a polícia veio e bateu à porta várias vezes, mas não teve resposta e foi embora. 

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