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Grupo de alunos da Unesp paralisa atividades

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Éder Azevedo

Estudantes protestam contra adesão da Unesp ao Pimesp, entre outros pontos

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru amanheceu ontem sob clima de protesto. Entre dezenas de faixas e cartazes pregados em toda a extensão do campus, cerca de 300 estudantes da graduação paralisaram suas atividades como forma de reivindicar, entre outros temas, a desvinculação da universidade ao Programa de Inclusão por Mérito no Ensino Superior Público Paulista (Pimesp), um programa de inclusão social à universidade pública lançado pelo governo do Estado de São Paulo.

Reunidos no bosque da instituição, por volta das 9h, cerca de 100 alunos discutiam as ações que seriam tomadas ao longo do dia para sensibilizar a diretoria do campus quanto à mobilização.

Com isso, parte das salas das três unidades da Unesp – a Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac),a Faculdade de Ciências (FC) e a Faculdade de Engenharia de Bauru (FEB) – ficou vazia ao longo da manhã. “Somos a favor das cotas, mas contra o modo como elas estão sendo implementadas dentro do Pimesp, com uma educação virtual. Acaba sendo um processo mais exclusivo do que inclusivo e colabora para a precarização do ensino público. O governo devia se preocupar em abrir mais faculdades ou mais vagas nos cursos e dar uma educação básica de mais qualidade para todos”, reivindica uma aluna da Faculdade de Ciências, que pediu para não ser identificada por receio de retaliações por parte do campus.

Procurado pela reportagem, o presidente do campus da Unesp de Bauru, Jair Manfrinato, disse respeitar o movimento, apesar de não concordar com a forma como os estudantes agiram.

“Não houve uma discussão do assunto com a diretoria. Não existe precarização, o Pimesp propõe que o aluno ingresse por mérito. É uma oportunidade de estender as vagas do ensino superior público para quem precisa”, defende o presidente da Unesp.

Além de Bauru, estudantes das unidades da Unesp em Marília e Ourinhos também aderiram ao movimento.

Pimesp

O programa de inclusão social possui implantação prevista para 2014 e atingirá as universidades estaduais paulistas, além das Faculdades de Medicina de Rio Preto e de Marília e as Fatecs.

A seleção funcionará da seguinte maneira: as universidades fornecerão um curso à distância por dois anos que servirá como porta de entrada para o ensino superior público. Ao término deste período, aqueles que conseguirem nota superior a sete terão vaga garantida em uma das universidades, sem a necessidade de passar pelo vestibular. A escolha das carreiras ocorrerá através do desempenho do aluno.

O Pimesp estabelece ainda que, até 2016, ao menos 50% das matrículas em cada curso e turno sejam ocupadas por alunos que cursaram o ensino médio em escolas públicas.

Pautas antigas

Outras reivindicações reforçam o ato dos estudantes, como as vagas não ocupadas na moradia estudantil e a quantidade insuficiente de refeições oferecidas no restaurante universitário. “O restaurante começará servindo 200 refeições e aumentará gradativamente a produção conforme a demanda. Sobre a moradia, tínhamos 32 vagas e recebemos 31 inscritos. Desse total, 27 foram selecionados por estarem dentro das regras para a concessão da moradia e possuírem a renda per capita abaixo de 1,5 salário mínimo”, conclui Jair Manfrinato. (MT)

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