Lamentavelmente, outro dantesco episódio invadiu os últimos noticiários, retratando o brutal e covarde assassinato, em São Bernardo do Campo, da dentista Cinthya Magaly de Sousa. Jamais ela teria imaginado que naquela quinta-feira, 25 de abril de 2013, enquanto travava mais uma batalha diária na luta pelo sustento de sua família, perderia a vida de maneira tão inesperada e trágica, por meio de um sofrimento monstruoso, desumano e fatal a que foi submetida por um bando de criminosos. Como pode alguém, da forma mais cruel possível, simplesmente atear fogo em outro ser humano, que, desprotegido e sem defesa, aos gritos, queima em chamas até a morte, na presença de seu algoz?
Realmente precisamos reconhecer que estamos em guerra. Uma guerra descabida, desigual, desmedida e sem sentido, na qual perde a sociedade e ganham os criminosos, na qual sucumbe o racional e vencem os animais.Uma guerra que todos os dias deixa em seus sangrentos campos dezenas de corpos, entre crianças, mulheres, mesmo as grávidas, jovens e idosos. Pessoas inocentes, que não estavam preparadas para este tipo de batalha, indefesas e desamparadas, todas engrossando as tristes estatísticas da nossa mais dura realidade. E as nossas leis, que privilegiam os criminosos que cometem esses bárbaros atos de violência, seguem inalteradas.
O nosso Código Penal é uma vergonha. O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) permitiu que um marmanjo de 17 anos, onze meses e 28 dias, tirasse covardemente a vida do estudante Victor Hugo Deppman, somente pelo "prazer" de matar. É o poder que o mundo do crime proporciona a seus autores, o "respeito" que se adquire neste exercito de bandidos. E após alguns meses de uma "educação corretiva", certamente voltarão às ruas para matar novamente, com mais crueldade e sem limites.
É de se perguntar aos defensores dos "direitos humanos" destes marginais, e de suas respectivas comissões parlamentares, onde foram parar os "direitos à vida" de tantas Cinthyas e Victors Hugos. E é de se perguntar ao Poder Público como podemos exigir o seu dever de proteger a vida de seus cidadãos? A polícia, na maioria das vezes, cumpre o seu papel, investiga e prende os criminosos, mas a leis são brandas demais para crimes tão perversos. Não há mais regras que nos protejam, somente a lei do mais forte, aliás dos mais "armados" .
De outro lado, os nossos políticos, em sua maioria preocupados apenas e tão somente em garantir a própria impunidade, não demonstram o menor interesse em mudar este quadro e muito menos as leis. Ao contrario, pensam em restringir cada vez mais as ações do Judiciário e do Ministério Público. É um absurdo constatar que possuímos um Congresso tão distante dos reais interesses do povo brasileiro.
No sábado assistimos a uma grande e luxuosa festa de reinauguração do Maracanã com a presença de tantas autoridades, todas com o propósito de mostrar ao mundo como estamos aqui no Brasil. E eu pergunto: o que esta belíssima festa adiantou para Cinthya, e quem agora vai cuidar de seus pais e de sua irmã deficiente? Parece mesmo que estamos em uma "terra de ninguém". É preciso agir rapidamente. Do contrário, lamentavelmente, perderemos esta guerra.
O autor, José Roberto de Toledo, é empresário de São Paulo