Política

Rodrigo na lista de pré-candidatos a vice-governador

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

Malavolta Jr.

Presidente estadual da sigla, Baleia Rossi, informou Agostinho sobre a possibilidade

Os 82% dos votos alcançados por Rodrigo Agostinho (PMDB) em sua reeleição estão lhe dando asas para voos políticos mais altos do que ele mesmo imaginava. O prefeito está na lista de nomes cotados pelo PMDB paulista para a disputa pelo Governo do Estado no ano que vem. O peemedebista pode ser lançado como vice em eventual aliança em chapa encabeçada pelo PT.

Além de Rodrigo, mais duas ou três opções compõem a seleta lista da Executiva do partido em São Paulo. A sigla deve recorrer a eles caso não seja viabilizada a candidatura a governador do presidente do Fiesp e do Ciesp, o empresário Paulo Skaf (PMDB), que já concorreu ao cargo em 2010. Então pelo PSB, ele alcançou o quarto lugar com pouco mais de 1 milhão de votos.

Mesmo ainda alinhado ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), o PMDB pode fortalecer a chapa do PT, indicando seu vice. E é justamente em torno desta possibilidade que o nome de Rodrigo é especulado.

Com a morte do então cacique Orestes Quércia, muito próximo dos tucanos, o partido do prefeito de Bauru viu abertas as portas para alianças com o PT no Estado, repetindo a dobradinha do Governo Federal, encabeçada por Dilma Rousseff (PT) com Michel Temer (PMDB) como vice.

Em Bauru, apesar das constantes cutucadas e cabeçadas, a aliança PMDB-PT é considerada bem sucedida e pode ser utilizada como exemplo na eleição estadual. Mesmo que conhecido apenas na região, Rodrigo é considerado um bom quadro, principalmente porque não sofreria com índices de rejeição – fator crucial na escolha de vices em chapas majoritárias.

Além disso, é claro, a cúpula do PMDB paulista não ignora o fato de Agostinho ter alcançado altos índices de aprovação em uma administração que teve como principais vitrines obras de infraestrutura (leia-se: asfalto) e expansão unidades de Saúde para o atendimento de urgência e emergência, lançando mão do programa federal das UPAs, o que, mais uma vez, reforçaria o sucesso da aliança entre os dois partidos.

Rodrigo não é o primeiro político de Bauru com o nome especulado para a disputa ao Poder Executivo estadual. Em 1990, o então secretário da Agricultura de São Paulo Tidei de Lima foi cogitado pelo mesmo PMDB para concorrer a governador. Na ocasião, porém, a sigla optou por Fleury Filho, que venceu o pleito.

Nomes petistas

No último sábado, o Jornal da Cidade mostrou que o PT paulista aposta todas as fichas na eleição para o Governo do Estado de 2014, acreditando no eventual esgotamento do projeto político do PSDB em São Paulo, que lançará Geraldo Alckmin (PSDB) na busca pela reeleição.

Atualmente, o nome mais cotado para encabeçar a chapa petista é o do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. No entanto, correm por fora Aloísio Mercadante (PT), ministro da Educação e candidato ao governo em 2006 e 2010, além do prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho.

Na última semana, o ministro da Fazenda Guido Mantega passou a ser cogitado. Há setores que entendem que, apesar da inflação, a economia teria menos rusgas em comparação à área da Saúde.

Cenário

Há quem acredite que a aliança entre PT e PMDB em São Paulo deva esperar o segundo turno. A avaliação de alguns setores é de que a candidatura de Paulo Skaf possa colaborar para que a disputa chegue ao segundo turno entre Alckmin e o candidato petista.

Para isso, no entanto, a candidatura deve ser competitiva e alcançar, ao menos, 10% dos votos. Segundo peemedebistas, Paulo Skaf é o único no partido que tem chances de atingir esses patamares eleitorais.

A alternativa seria Gabriel Chalita (PMDB). No entanto, a imagem do deputado federal está desgastada desde que ganham publicidade notícias com supostos escândalos em sua gestão à frente da Secretaria do Estado de Educação.


Renúncia obrigatória

A Constituição Federal diz que chefes do Poder Executivo devem renunciar, pelo menos, seis meses antes da eleição caso queiram disputar outros cargos. Esta exigência é o principal ponto que reduz as chances de que Rodrigo Agostinho aceite concorrer a vice-governador.

O prefeito teria que entregar o comando do Palácio das Cerejeiras à vice Estela Almagro (PT) já em abril de 2014 e, caso fosse derrotado das urnas, não poderia tê-lo de volta.

Vale lembrar que, em 2012, candidatos de oposição disseminaram a informação de que Agostinho deixaria a prefeitura em 2014 para concorrer a deputado federal, motivando-o a assinar compromisso em cartório, atestando que cumpriria o mandato de quatro anos.

Nas discussões partidárias, porém, entende-se que a disputa ao cargo de vice-governador simbolizaria algo maior, positivo, inclusive para Bauru, e não implicaria em desgaste na imagem de Rodrigo.


Dobrada local

O PMDB de Bauru deve lançar o vereador Renato Purini (PMDB) e o empresário e ex-deputado estadual Carlos Braga candidatos a deputado estadual e federal, respectivamente. Braga concorreu a uma vaga na Câmara Federal em 2010 pelo PSDB, sigla da qual se desfiliou na semana passada.

O vice-presidente da República, Michel Temer, sugeriu, no início deste ano, a construção de uma aliança regional com um nome de Bauru e outro indicado pelo diretório de Jaú.

A possibilidade, no entanto, está descartada, pois uma resolução do comando estadual do PMDB exige que municípios com mais de 200 mil eleitores apresentem candidatos para a Assembleia Legislativa e para o Congresso Nacional.

Vale lembrar que, na cidade, a briga por legenda em 2014 já ganhou repercussão. A vereadora Telma Gobbi (PMDB) foi acusada de pedir vaga para a disputa do ano que vem em São Paulo. A médica, iniciante na política, nega a informação e diz que foi procurada pelo diretório que a teria consultado sobre a inclusão de seu nome em uma pré-lista.

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