Os alimentos continuaram a pressionar o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em abril, ao contrário das expectativas. A taxa de inflação oficial bateu em 0,55%.
Os empregados domésticos, que integram o grupo de não alimentícios junto com os remédios, também não deram trégua no mês passado, ficando em segundo lugar como maior alta individual, de 1,25%.
As refeições fora de casa cederam levemente em relação ao mês anterior, subindo 0,69% ante taxa de 0,72% em março.
Entre os alimentos que mais subiram em abril estão a batata inglesa (16,16%), a cebola (10,96%), o feijão carioca (9,44%) e a cenoura (7,82%). O tomate continuou em alta, subindo 7,39% em abril.
Na lanterna das altas do mês, porém já registrando elevação de 3,73% no ano, o pão francês subiu 0,80%, depois de já ter aumentado 0,69% em março.
A farinha de mandioca, que impacta fortemente a alimentação da região Nordeste, subiu 4,43%.
De acordo com a economista do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, os produtos da cesta básica desonerados pelo governo ajudaram a conter o índice.
O açúcar teve queda de 4,50%; o óleo de soja, de 2,87%; o frango inteiro, de 1,92%; o arroz, de 1,87%; as carnes, de 1,78%; o frango em pedaços, de 1,58%; e o café, de 1,37%.
"Nem toda essa queda é da desoneração, mas podemos dizer que sim, a desoneração contribuiu, ou a inflação ia ser maior", avaliou.
Segundo Eulina, os alimentos continuam em alta devido aos problemas no escoamento da produção e o impacto de custos com a nova lei do caminhoneiro, que aumenta o número de horas de descanso.
No ano, o grupo alimentos acumula uma contribuição no IPCA da ordem de 1,37 ponto percentual na taxa de 2,50%, informou Eulina.
Energia
Os preços monitorados também contribuíram para evitar uma alta maior da inflação, com destaque para a redução das tarifas de energia elétrica e do telefone fixo. A energia elétrica residencial caiu 0,25% em abril, acumulando redução de 18,25% no ano, e o telefone fixo teve queda de 1,06%, uma deflação de 0,58% no ano.
A maior queda entre os preços monitorados ficou por conta das passagens aéreas, de 9,12%, porém menores do que em março (-16,435%).
O pedido para que as passagens de ônibus não fossem reajustadas, feitas pelo governo federal aos prefeitos, também ajudou a inflação, com esse item registrando queda de 0,24% em abril.
Para junho no entanto, a previsão é de que a inflação seja turbinada pelos aumentos já concedidos em abril a distribuidoras de energia elétrica, como o ajuste de 11,93% da Ampla, no Rio de Janeiro; 3,60% em Porto Alegre; 4,99% em Minas Gerais; 0,79% em Recife; e 3,44% em Fortaleza. Na contramão estará a Bahia, que reduziu as tarifas em 10,53% das tarifas no dia 22 de abril.
Também terão impacto na inflação de junho os aumentos do táxi em Porto Alegre (+8,09%) e a alta das taxas de água e esgoto de Belo Horizonte (+5,25%); São Paulo (+2,38%) e Goiânia (+6,22%).
Projeções para maio
Economistas já reavaliam suas expectativas para a inflação de maio. A consultoria LCA elevou de 0,33% para 0,37% a projeção de alta do índice neste mês, com o acumulado em 12 meses se mantendo em torno dos 6,5%.
A consultoria destaca, porém, que a taxa em maio permanecerá menor do que abril pela queda projetada do etanol e a intensificação da deflação da gasolina, que teve queda de 0,41% em abril.
"Projetamos que o grupo Alimentação e Bebidas registrará desacelaração entre abril (0,96%) e maio (0,39%), muito mais lenta do que apontaria a conjugação entre os impactos da desoneração dos itens da cesta básica e as quedas dos preços agropecuários no atacado", disse a LCA em nota.
Já o HSBC manteve as projeções, mas reconheceu que há risco de não serem atingidas se a alta dos alimentos prosseguir. O banco credita a resistência do preço dos alimentos às mudanças feitas no frete de caminhões com a lei que reduz o turno de trabalho dos caminhoneiros.
"No geral, as perspectivas para a inflação continuam a ser preocupantes", disse o HSBC em nota assinada pelos analistas Constantin Jancso e Sabrina Andrade.
Os especialistas esperam o recuo da inflação dos alimentos de 14% para 7,9% e com isso a inflação do ano ficaria em 6,5%. Se isso não ocorrer, observam, a taxa anual terá que ser revista para cima.