Cultura

Um poeta de ?espírito livre?

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 2 min

Quioshi Goto

O poeta e ensaísta português Luís Serguilha: “Também tenho a fase de recolhimento”

Pouco preocupado em criar uma lógica para suas poesias e textos, o poeta, crítico e ensaísta português Luís Serguilha esteve em Bauru na última semana para participar de debate literário no CTI-Unesp e também gravar o “Diálogos do Saber”, da TV FIB, programa transmitido pelo Canal Universitário de Bauru (CNUB).

A poesia crítica de Serguilha revela um “poeta de espírito livre”. Ao lado dos professores Fausi dos Santos e Maria Regina Momesso – que o acompanharam durante sua estadia por aqui - o escritor concedeu entrevista ao JC para falar de sua vinda ao Brasil e de seu trabalho.

Além de Bauru, Serguilha tem percorrido várias cidades brasileiras, cumprindo agenda em congressos, debates e outros eventos.

Já esteve em diversos estados do país e segue divulgando seu trabalho e obras literárias. “Há mais de dez anos venho para o Brasil, fazendo pesquisas sobre a construção poética da atualidade brasileira. E já publiquei vários livros por aqui, inclusive por uma editora em Bauru”, comentou. 

“Essas pesquisas criam a necessidade de regressar ao Brasil muitas vezes, até ficar mais tempo por aqui do que em Portugal”, indica. “Faço diálogos no mundo acadêmico, no mundo universitário, com poetas e leitores. E tem também aquela fase de recolhimento, desligamento, para poder ‘mergulhar’ nos livros e leituras”, descreve o poeta.

  • Serviço

  • Contato no Brasil com Luis Serguilha: (81) 8103-8841 (Adriana Mayrinck  - agente literária). Site do poeta: www.luis-serguilha.org.


    Quem é Serguilha

    Luís Serguilha nasceu em Vila Nova de Famalicão, Portugal. Possui textos publicados em diversas revistas de literatura no Brasil, na Espanha e em Portugal.

    Algumas de suas obras são “O périplo do cacho” (1998), “O outro” (1999), “O externo tatuado da visão” (2002), “O murmúrio livre do pássaro” (2003), “Hangares do vendaval” (2007) e “As processionárias” (2008). A mais atual é “Koa’e”.

    É criador da “estética do laharsismo” (deslocamento poético inspirado em oscilações cíclicas da natureza e nas mudanças geológicas).

    Também é curador

    Ele é, ainda, responsável por coleção de poesia contemporânea brasileira na Editora Cosmorama. É curador do “Encontro Internacional de Literatura e Arte: Portuguesia” e do “Raias- Poéticas: Afluentes Ibero-Afro-Americanos de Arte e Pensamento”.


    Fragmentos do livro ‘Estética do Laharsismo’, de Luís Serguilha

    “A poesia reconstitui-se hibridamente nas expressões, no magnetismo da cosmovisão e esculpe as suas e-imigrações semantúrgicas-indizíveis nas geografias-em-desdobramento-dançante: oscilações das cartografias-em-risco: partilha metamórfica do desassossego, acoplamentos de subversões-perplexidades, transmutação dos murmúrios-sígnicos, incarnação-mutante dos devires, informulada fractura humana-animalizante, sanguinidade do desejo-experiência-pensamento na exploração mutual do enigma que se dissipa, intersecciona, ecoa e retorna violentamente ao estranhamento da germinalidade do deserto, à actualização do silabário das epifanias, às vertigens da imanência, à heterogeneidade fertilizadora-sacralizadora do olhar-sismológico perdido do (no) mundo...,...”

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