Bairros

Higiene é fundamental!

Tisa Moraes com Redação
| Tempo de leitura: 3 min

João Rosan

Dono de distribuidora, João Chaves mantém galões a 15 cm de altura

A Vigilância Sanitária alerta: o consumidor deve seguir algumas orientações para não correr riscos na hora de comprar água mineral. Entre as recomendações, é importante verificar se o estabelecimento possui licença sanitária e alvará de funcionamento, observar a validade do produto em si (constante no rótulo) e do galão – que é de três anos e está impressa no fundo da embalagem.

“Outra dica é estar atento à conservação dessas embalagens. Se estiver com manchas de sujeira ou muito riscado, é melhor não levar para casa”, frisa André Luiz Fontes, chefe da seção de controle de gêneros alimentícios da Vigilância Sanitária municipal. Ele também destaca ser fundamental limpar bem a parte superior do galão antes de colocá-lo no bebedouro.

Distribuidores da cidade alertam ainda para o manuseio e armazenamento adequado dentro de casa, para que os galões não sejam inutilizados. “Se ele tiver contato com fezes de animais ou produtos químicos, precisa ser descartado”, comenta o empresário João Ricardo Chaves, proprietário de uma distribuidora localizada no Jardim América.

Proprietário de outra distribuidora, com unidades em Agudos e no Jardim Contorno, em Bauru, Osnir Francisco de Souza lembra ainda que o consumidor deve sempre verificar a integridade do lacre dos galões. Se estiver violado, o melhor é recusar o produto. “São algumas medidas que, juntas, garantem a qualidade da mercadoria. Se não forem seguidas, o risco de ingerir água contaminada existe”, considera.

Estudo

Um estudo recente revelou uma alta incidência de contaminação de galões de água por micro-organismos nocivos à saúde. O trabalho, realizado pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara e publicado pela revista Food Control, apontou que 65% dos galões analisados apresentavam problemas de contaminação, inclusive por bactérias.

Em Bauru, a Vigilância Sanitária municipal afirma que situações semelhantes não são frequentemente registradas. Mas, de qualquer maneira, o consumidor deve estar sempre atento à qualidade do produto para não levar riscos para casa.

Além de galões, a pesquisa da Unesp também examinou, em 11 etapas, o conteúdo de garrafas de meio litro e de 1,5 litro durante um ano - prazo máximo para o consumo do produto. Mas foram os garrafões de 20 litros os que apresentaram os maiores índices de contaminação.

No estudo, eles foram submetidos a cinco testes executados dentro dos 60 dias de sua validade para ingestão. No total, 324 amostras de seis fabricantes - não divulgados pela FCF - foram estudadas.

Do total de garrafões analisados, 65% obtiveram contagem superior a 500 unidades formadoras de colônia por mililitro de água (UFC/ml), nível limite adotado internacionalmente, inclusive pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em algumas amostras, o valor ultrapassou mais de mil vezes o padrão aceitável para a água de abastecimento.

Em dois galões foram encontradas a bactéria Pseudomonas aeruginosa e outras do grupo dos enterococos. “A primeira bactéria pode, por exemplo, complicar o estado de saúde de uma pessoa que esteja com o sistema imunológico comprometido”, revela a pesquisadora, a pós-doutoranda Maria Fernanda Falcone Dias, que foi orientada pelo professor Adalberto Farache Filho. Já a enterococo pode provocar infecções intestinais e urinárias.


Inspeção anual

Segundo o chefe da seção de controle de gêneros alimentícios da Vigilância Sanitária de Bauru, André Luiz Fontes, o órgão municipal inspeciona anualmente as condições de higiene dos depósitos e dos meios de transporte de distribuidoras e envasadoras de água para que a licença para funcionamento seja concedida. Mas as análises da água e das embalagens ficam sob responsabilidade das próprias empresas, que devem comprovar à Anvisa a potabilidade do produto comercializado. De acordo com ele, irregularidades que possam levar à interdição de distribuidoras ou envasadoras de água raramente são verificadas em Bauru.

Entre as exigências para garantir a integridade do produto, está o armazenamento dos galões em locais sem incidência direta de luz solar e protegidos de poeira, animais e outros contaminantes. Em uma distribuidora localizada no Jardim América, as embalagens são dispostas em prateleiras de 15 centímetros de altura, em ambiente azulejado.

“E os galões vazios ficam, no máximo, dois dias armazenados. É o prazo em que a envasadora passa para recolhê-los”, comenta o proprietário da distribuidora, João Ricardo Chaves.

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