Começo este manifesto parabenizando a vitória dos fariseus da cidade de Bauru. Eu, como jovem, nunca me senti muito tocada ao assistir às celebrações das missas católicas, porque sempre as considerei muito chatas e distantes daquilo que eu buscava para conforto espiritual. Eis que surge, então, um padre nada ortodoxo, mas que atingia em cheio o coração dos jovens com suas pregações, o "excomungado padre Beto".
Passei, então, a frequentar todos os domingos as missas por ele celebradas, missas estas cheias de amor, sempre pregando a igualdade, o respeito ao próximo acima de tudo, e a verdadeira concepção do ser cristão. Não me surpreende esta atitude tomada pela Igreja e sua "ilibada" comunidade, uma vez que algo parecido ocorrera anteriormente com os padres Pedro Jorge e Antonio Edson.
Se o objetivo da Igreja é atrair cada vez mais jovens para sua congregação, devo dizer, senhor bispo, que o senhor não deu um tiro no próprio pé, mas sim em sua cabeça, pois atitudes como esta afastam cada vez mais os jovens da igreja católica.
Mas gostaria de fazer um questionamento: toda esta "baixaria" é só porque o padre Beto defendeu os direitos dos gays? Devo dizer sinceramente que também não sou favorável à união homossexual, contudo, não saio por aí perseguindo quem é a favor, justamente por aprender nas pregações do padre Beto que o respeito às diferenças é essencial para o crescimento espiritual.
Outro questionamento pertinente a ser feito é com relação aos "estupradores de batina", que atacam criancinhas e jovens. A igreja também excomunga esses verdadeiros vermes pedófilos? Ou a igreja só toma providências quando casos nojentos como esses vêm à tona através da imprensa? Realmente... não dá para entender!
Reflito hoje, com tais acontecimentos, se incentivarei os filhos que terei um dia a serem católicos. Sendo assim, fica um conselho, senhor bispo: cuidado com os ratos que lhe cercam, e comece sua "faxina eclesiástica" nos lugares certos, com as pessoas certas, e mais, o rebanho de Deus não segue templos e construções, mas sim a um bom pastor, que o senhor fez o favor de perder.
Quanto ao senhor, padre Beto, independentemente dos mandos e desmandos da igreja católica, em meu coração e de milhares de amigos meus, o senhor sempre será o "padre Beto".
Nágilla Chavez Castro