Internacional

Sequestrador pode ser condenado à morte

Agências
| Tempo de leitura: 3 min

John Gress/Reuters

Os irmãos Onil, Pedro e Ariel Castro compareceram ao tribunal de Cleveland, ontem

O promotor do condado de Cuyahoga, em Cleveland, Timothy McGinty, disse ontem que quer pedir pena de morte para Ariel Castro, 52 anos, o homem acusado de ter sequestrado e mantido em cativeiro três jovens por cerca de dez anos.  Ontem, ele depôs rapidamente perante uma juíza pela primeira vez desde que foi preso, na segunda-feira.

Segundo sua advogada, ele está isolado e em observação por risco de suicídio.

Conforme a polícia, entre 2002 e 2004, ele capturou Michelle Knight, 32, Amanda Berry, 27, e Gina DeJesus, 23, mantidas em cativeiro na casa dele. Depoimentos preliminares das vítimas indicam que elas foram estupradas e que uma delas, Berry, deu à luz uma menina.

O promotor afirmou durante uma entrevista que a intenção é acusar Castro de homicídio com agravante, acusação relacionada com informações surgidas de que ele teria forçado as três jovens a abortarem. Para McGinty, a legislação do Estado de Ohio, onde ocorreu o crime, permite solicitar a pena de morte para os “criminosos mais depravados que cometem um assassinato com agravante no curso de um sequestro”.

O promotor chamou a casa de Castro de “câmara de tortura e cárcere privado no coração da cidade” e que “a terrível brutalidade e a tortura pelas quais as vítimas passaram por uma década estão além da compreensão”. “É meu dever perseguir uma justiça que seja rápida, implacável e justa”, disse.

Para liberar Castro, um motorista de ônibus desempregado, uma juíza estipulou uma fiança de US$ 8 milhões.


Ex-reféns suportaram anos de isolamento, estupros e agressões

As autoridades de Cleveland revelaram detalhes do isolamento e do brutal cativeiro das reféns, libertadas nesta semana.

Segundo investigadores, as moças passavam períodos amarradas ou acorrentadas, e eram submetidas a jejum, agressões físicas, violências sexuais e, no caso de uma delas, vários abortos induzidos deliberadamente pelo algoz.

O acusado pelo sequestro, que trabalhava como motorista de ônibus escolar, foi demitido em novembro. Dois irmãos dele, de 50 e 54 anos, chegaram a ser detidos como suspeitos, mas foram liberados porque os investigadores concluíram que eles não participaram do crime e não tinham conhecimento do sequestro.

Também ficou claro que a gravidez de Amanda não foi um fato isolado. Michelle Knight, uma das três mulheres que foi mantida refém, disse que ficou grávida pelo menos cinco vezes enquanto esteve em cativeiro. Segundo a jovem, ela era agredida e passava fome enquanto estava grávida, até perder os bebês.

A filha de Berry nasceu em uma piscina infantil inflável, no dia de Natal de 2006. Um exame vai determinar quem é o pai da criança.

As três mulheres eram mantidas por longos períodos no porão da casa, presas a correntes e cordas, e eventualmente passando fome, segundo Cummins. As autoridades descreveram a casa como precária.

Cummins disse que inicialmente as jovens ficavam em cômodos separados da casa, mas que depois Castro ganhou confiança a respeito do seu controle e permitiu que elas ficassem juntas.


Filha de acusado está presa

A filha de Ariel está cumprindo uma pena de 25 anos por tentar matar sua filha, há seis anos.

Emily Castro foi condenada a 30 anos de prisão, cinco deles suspensos. O júri considerou Emily culpada, porém mentalmente doente. Ela é acusada de ferir sua filha, então com 11 meses, no pescoço. O crime ocorreu em abril de 2007.

Emily cometeu o crime aos 19 anos, motivada pelo fato de que seu então namorado - também pai de sua filha - havia saído de casa. Ela cortou o pescoço da criança quatro vezes com uma faca. Emily também cortou seu próprio pescoço e seus pulsos.

Na época, após denúncia de vizinhos, policiais encontraram Emily coberta de lama, água e sangue - ela disse aos policiais que havia tentado se afogar em um riacho.

A defesa de Emily tentou apelar da sentença em 2008, mas o recurso foi negado pela corte de Indiana, onde ela está presa.

Comentários

Comentários