Douglas Reis |
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Caixa eletrônico de agência de Pongaí sofreu ataque em abril deste ano |
Cidade pequena já não é mais sinônimo de tranquilidade. Municípios de menor porte estão na mira de quadrilhas de assaltantes de caixas eletrônicos que, ousadas e bem preparadas, agem com violência para arrecadar dinheiro de maneira ilícita. Na região, apenas neste ano, o JC já contabiliza, informalmente, ao menos oito ocorrências desta natureza. Nos últimos dois meses de 2012, foram outros quatro casos.
No mais recente deles, registrado na madrugada de ontem, criminosos explodiram seis caixas eletrônicos de duas agências bancárias de Águas de Santa Bárbara (103 quilômetros de Bauru). Também atiraram contra a base da Polícia Militar (PM) e fugiram sem deixar rastros (leia mais abaixo).
Especialistas na área de segurança afirmam que as cidades pequenas passaram a ser escolhidas por estas quadrilhas porque possuem menor contingente policial. Por terem poucas ruas e quase nenhum trânsito de veículos, também favorecem a fuga sem grandes imprevistos.
As investigações indicam que estes grupos fortemente armados sejam originários da região de Campinas. Há suspeitas, ainda, de que eles possam ter migrado para esta modalidade de crime depois que o incremento tecnológico e de segurança dificultou a execução de roubos a bancos e carros-fortes.
Segundo as polícias Civil e Militar, dentro da grande região de Bauru, as áreas mais atacadas são as de Botucatu e Pongaí. Desde o início deste ano, já foram alvos as cidades de Bofete, Anhembi e Pardinho (abrangidas por Botucatu), além de Torrinha (na região de Jaú), Lençóis Paulista e da própria cidade de Pongaí.
“São cidades mais vulneráveis porque contam com menos força policial, menos pessoas nas ruas e menos veículos. E, por terem poucas ruas, o acesso à rodovia, geralmente, é fácil”, comenta o delegado seccional de Bauru, Marcos Mourão.
Perfil
Para o subcomandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI), Flávio Jun Kitazume, outro facilitador é a falta de segurança de algumas agências bancárias instaladas nestas localidades. “Muitas instituições bancárias expandiram suas unidades para um maior número de municípios, mas não investiram em alarmes, circuito interno de monitoramento, e se tornaram alvos fáceis”, frisa.
De acordo com ele, os valores obtidos com as explosões têm servido para alimentar o tráfico de entorpecentes e o comércio ilegal de armas. Segundo Mourão, o modo de ação costuma obedecer algumas regras. Na maioria das vezes, as quadrilhas agem em, no mínimo, seis pessoas, fortemente armadas com pistolas e fuzis, que utilizam dinamites potentes para explodir os caixas.
Em vários casos, estouram mais de um terminal bancário da mesma cidade simultaneamente, sempre durante a madrugada. E, numa demonstração de extrema ousadia, recentemente passaram a cercar e atirar nas bases locais da PM, como forma de anular qualquer reação policial. Foi o que ocorreu ontem, em Águas de Santa Bárbara; em janeiro, em Bofete; e no mês passado, em Pongaí.
As dinamites, conforme destaca Kitazume, são de uso controlado e o modo como chegam às mãos destes grupos ainda é investigado pela polícia. Mas, na avaliação da PM e da Polícia Civil, o aumento do uso criminoso deste tipo de explosivo cresceu na esteira do “boom” vivido pela construção civil nos últimos anos, com ênfase na expansão das atividades de pedreiras em todo o Brasil.
Mãos atadas?
Por meio de nota, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirma que “vêm trabalhando em estreita parceria com governos, polícias (Civil, Militar e Federal) e Poder Judiciário” para encontrar soluções de combate às explosões de caixas eletrônicos. Também destaca que esta modalidade criminosa precisa ser combatida em sua origem, com o bloqueio do fácil acesso aos explosivos e o desmantelamento das quadrilhas.
Ressalta, no entanto, que as quadrilhas têm usado “força desproporcional, com armamentos pesados, de elevado poder de destruição” e que “a ação de segurança permitida pela legislação aos bancos é insuficiente frente à violência empregada”.
Soluções
Por motivos estratégicos, as polícias Civil e Militar não revelam os estudos que estão sendo realizados para combater este tipo de crime na região. De acordo com o delegado seccional de Bauru, Marcos Mourão, cursos práticos e teóricos vem sendo ministrados para que os policiais civis aprimorem os mecanismos de investigação, como forma de identificar os autores das explosões e prevenir novas ocorrências.
Embora afirme que a região de Bauru não está entre as mais vulneráveis à ação destes grupos, o subcomandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI), Flávio Jun Kitazume revela que o serviço de inteligência da PM também trabalha no sentido de reduzir o volume de ataques. Ele diz que, atualmente, cada cidade da região conta com contingente mínimo de nove policiais militares, com ao menos dois deles trabalhando a cada turno.
Mas salienta que a segurança não pode depender apenas da atuação da corporação. “As instituições bancárias, por exemplo, deveriam manter um funcionário nas cidades para monitorar as agências em caso de disparo do alarme. Mas toda a responsabilidade é transferida para a PM”, observa.
Para o subcomandante, a população também poderia funcionar como um “exército de sentinelas”, já que uma vantagem própria das cidades pequenas é o fato todos os moradores se conhecerem. “Antes de agir, as quadrilhas se planejam e, portanto, precisam visitar a cidade algumas vezes, em dias seguidos, e a presença destas pessoas estranhas chama a atenção. Sempre que possível, as pessoas devem alertar a polícia”, frisa.
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