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Conseguir endoscopia vira uma saga

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

“Em casa de ferreiro espeto é de pau”. A expressão dita por um paciente de Bauru com problemas estomacais, diante da saga de quase um ano em busca de um exame de endoscopia na cidade, reflete a situação problemática que o município tem enfrentado.

A crise vivida pela extinta Associação Hospitalar de Bauru (AHB), que em consequência afetou o Hospital de Base (HB), culminou com a interrupção de diversos procedimentos pela unidade no município, incluindo a endoscopia.

Como resultado, um inchaço acometeu o sistema público de saúde e as vagas do Hospital Estadual (HE), única unidade que realiza exames como esse em Bauru, já não suportam a demanda, fazendo com que munícipes viajem ao menos 120 quilômetros até o Ambulatório Médico de Especialidades (AME) em Promissão.

“É duro isso, tive que gastar com gasolina, com a manutenção do carro para poder viajar, com os pedágios e ainda com o dia de serviço do meu filho, que precisou faltar para me acompanhar. Temos tudo aqui, mas Bauru está atendendo a região toda e seus próprios munícipes estão ficando na mão”, reclama o escriturário Reinaldo Barbosa, 59 anos, mostrando a documentação emitida junto ao AME – órgão vinculado ao Departamento Regional de Saúde (DRS-6) – que comprova sua espera para a realização da endoscopia desde julho do ano passado.

“Sempre que ligava no AME para saber da vaga era a mesma coisa. Nunca tinha aqui, só em Promissão. Resolvi viajar antes que meu problema virasse coisa pior”, completa.

Após quase um ano de ligações e muita insistência pela vaga, o escriturário conseguiu realizar seu exame no ambulatório de Promissão.

‘Buraco assistencial’

O caso de Reinaldo, conforme o JC apurou junto à Secretaria Municipal de Saúde, não é isolado. Segundo admite o próprio secretário, Fernando Monti, a situação vem ocorrendo e revela uma espécie de “buraco assistencial”.

“Estamos trabalhando junto ao DRS para tentar resolver o problema o mais rápido possível. Temos vazios assistenciais em procedimentos de média complexidade em decorrência dos resultados da crise da AHB e do HB. Alguns procedimentos ainda não foram retomados pela Fundação para o Desenvolvimento Médico Hospitalar (Famesp) – que assumiu o hospital recentemente – e o HE não consegue dar conta de tudo”, frisa o secretário, acrescentando a necessidade de uma discussão com o Estado sobre a questão de logística do sistema. “Precisamos verificar também de onde são esses pacientes que estão em atendimento em Bauru. Se forem de cidades próximas à Promissão, poderíamos viabilizar essa transferência”, afirma.

Segundo o JC apurou, além da endoscopia, outros exames na área de radiologia e procedimentos como hemodiálise também estariam tirando o sono e o sossego de alguns bauruenses que precisam sair da cidade, considerada polo de saúde da região, e viajar para municípios vizinhos na busca pelo atendimento.


Outro lado

A Secretaria Municipal de Saúde, através do setor de agendamento, informa que até ontem havia 2.029 encaminhamentos para exames de endoscopia aguardando agendamento. Desse total, 798 são solicitações para pacientes de 2012.

Quanto ao atendimento para pacientes que necessitam de transporte para outros municípios, o usuário deverá procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima de sua residência ou na Secretaria Municipal de Saúde, rua José Aiello 3-30, no serviço de agendamento de transporte de pacientes, das 8h às 11h30, de segunda a sexta, onde deverá receber as orientações necessárias.

O paciente ou seu representante deverá apresentar os documentos pessoais, comprovante de endereço e preencher o formulário disponibilizado no ato da solicitação. Depois será submetido à avaliação médica para a devida análise da real necessidade do serviço, que conta com cinco viaturas e duas kombis, que em média transportam 70 pacientes ao mês.

O Departamento Regional de Saúde de Bauru informa que os pacientes atendidos na rede estadual são encaminhados para as unidades de referência na sua região, sendo ela no seu próprio município ou não. “Vale ressaltar que nenhum paciente fica desassistido. Com o intuito de agilizar o atendimento, é feito o encaminhamento para o serviço mais próximo com vagas disponíveis. Assim que possível é feita a transferência para o serviço mais próximo do município de residência do paciente”, informa, em nota.

Procurada, a assessoria de imprensa da Famesp não se pronunciou até o fechamento desta edição.

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