O projeto executivo da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) não vai mudar. Em 60 dias a Prefeitura de Bauru vai abrir o edital da concorrência de R$ 118 milhões. O que ficou explícito na apresentação do projeto, na sede da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos (Assenag), na última sexta-feira à noite, é que a cidade não está preparada para colocar a ETE em funcionamento. Despejo irregular de alguns endereços da indústria local e de graxa, óleos e combustíveis na rede colocam a estação em risco.
Esta foi a advertência que engenheiros reforçaram ao prefeito Rodrigo Agostinho durante o encontro. O diretor regional do Ciesp, Domingos Malandrino, enfatizou que a administração municipal não tem controle sobre cerca de 3.000 oficinas mecânicas. O despejo irregular de derivados de combustíveis na rede, além de graxa, é crescente.
Como em outros setores, a fiscalização municipal é incipiente e a Secretaria de Planejamento (Seplan) sequer tem o controle cadastral sobre as empresas quie funcionam no sistemna. “Temos pelo menos 3.000 oficinas em funcionamento e o estudo já demonstrou que o despejo irregular de graxa e derivados de combustíveis leva a estação ao colapso. Então não adianta investir R$ 118 milhões e por o funcionamento do sistema em risco”, advertiu Malandrino.
Mas o representante dos empresários do setor industrial também minimizou problemas na indústria. “Sei que o relatório apontou alguns poucos endereços com despejo irregular nos emissários. Mas esses são de fácil localização e a multa é pesada e estes empresários não vão querer ser penalizados. Mas com os pequenos, as oficinas, a situação é em escala e muito mais problemática”, ponderou.
O prefeito Rodrigo Agostinho minimizou que a Cetesb terá de atuar. “A Cetesb tem de aprimorar a fiscalização do lançamento industrial para não causar problema ao tratamento biológico”, disse.
Como a base do funcionamento do projeto da ETE em Bauru não dispensa o tratamento biológico, a presença de graxa, óleos, gasolina, diesel e outros elementos, sem contar corantes e químicos de natureza industrial, podem por a ETE em colapso.
O curioso é que esta informação já é de conhecimento do prefeito desde o início do ano passado, quando a ETEP, contratada para realizar o projeto executivo, apresentou laudos dando conta de amostrar com identificação de despejo industrial irregular nos emissários. O engenheiro Hildebrando Vasconcellos, que asisna o projeto, confirma que é imprescindível resolver esse problema, senão o sistema não funciona.
Tecnologia
O prefeito Rodrigo Agostinho chegou a pedir desculpas pela reação intempestiva de criticar, na semana passada, a cobrança da sociedade pela apresentação do projeto executiv ainda no início de 2012. De outro lado, os engenheiros da ETEP, empresa que já foi adquirida por outro grupo, descartaram o uso de membrana filtrante para o projeto de Bauru.
Na visão de Vasconcellos, a membrana é “a melhor tecnologia em qualidade de tratamento final de resíduos que existe no mundo hoje. O produto final do esgoto sai quase água potável”, exagerou.
Entretanto, o engenheiro disse que esta tecnologia ainda é muito cara, se comparada com o sistema de reator anaeróbio UASB, associado a outros ingredientes de tratamento, como a opção feita por Bauru. “A membrana filtra mesmo tudo, mais fino que um fio de cabvelo. É tão eficiente que não passa nem vírus, nem bactéria, por ser mais fina que fio de cabelo. Mas é mjuito mais cara e tem patente com poucos fornecedores, restringindo a concorrência. E o preço é muito caro se comparado com o projeto que apontamos para Bauru. O projeto de Bauru será eficiente, eu garanto”, finalizou.
O presidente da Assenag, Afonso Celso, enfatizou a importância da apresentação e elogiou, ainda que tardiamente, a discussão do projeto da maior licitação da cidade nas últimas décadas.
Debate sana dúvidas
Para a Assenag e o Sindicato dos Engenheiros, o debate técnico anteontem em sua sede sobre o projeto tecnológico da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) ajudou a sanar as dúvidas e deu transparência para discutir o problema.
Segundo o presidente da Assenag, Afonso Fábio, após a apresentação da prefeitura foi debatido tecnicamente todo o processo, sendo fornecida muitas informações que vieram tirar dúvidas da escolha correta ou não da tecnologia do projeto a ser adotado na futura ETE.
“O debate técnico sana dúvidas, traz transparência, democratiza ações e, mas importante, dá o comprometimento da sociedade com o Poder Público”, afirmou Fábio.
Na opinião dele, outras parcerias desse tipo serão firmadas entre a Assenag, Sindicato dos Engenheiros e Poder Público, uma delas para o debate técnico da reformulação da avenida Rodrigues Alves.