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Tradição do prato do dia ganha força em Bauru

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

Comuns, principalmente em restaurantes das áreas centrais das cidades, as tradicionais lousas com o prato do dia não são tão vistas, comparado a outros lugares, em Bauru. Contudo, a tradição ganhou força nos últimos anos e já é possível montar um cardápio semanal de acordo com o que se almoça por aqui de segunda a sábado.

 

Semana passada, ouvimos responsáveis pela cozinha e elaboração do cardápio de aproximadamente uma dezena de restaurantes de Bauru e, nesta sondagem, é possível elencar alguns “eleitos” pela clientela da cidade.


Ao lado da tradicional e indispensável dupla arroz com feijão, o bife à parmegiana surge como opção em quase todos os dias, principalmente como prato escolhido na sexta-feira e até mesmo no sábado, antes quase exclusividade da feijoada.


A construção do cardápio, lembra Paulo Renato Frederico, coordenador do curso de Gastronomia da Universidade Sagrado Coração (USC), varia. Entretanto, o ideal, observa, é administrar de acordo com a disponibilidade do estoque, além dos aspectos inerentes a cada dia da semana.


A segunda-feira, lembra, geralmente é um dia de pegar leve em virtude aos abusos do final de semana e “pede” opções mais leves, na maioria dos estabelecimentos. Entretanto, isso não é uma lei. “O fundamental é o restaurante ter o estoque bem administrado. Para isso, estabelecer pratos do dia é uma ótima estratégia”, considera.


O fator “peso na consciência” é levado e conta por alguns restaurantes. Seja em casas com cardápio à la carte e até mesmo nos estabelecimentos com sistema de cobrança por quilo, o prato do dia na segunda, geralmente, observa alguns “contrapesos”, servidos ao tradicional arroz com feijão.


“Na segunda, servimos comida mineira. No entanto, ela divide o cardápio com opções mais leves, como filé de frango, legumes e arroz integral. Sempre tem um pessoal que faz essa ‘compensação’, para aliviar a consciência por causa do final de semana”, descontrai Alfeu Pereira Filho, dono de restaurante no Jardim Nasralla.



Rei da sexta


Na quarta e no sábado, ela reina soberana. A feijoada, completa ou “light” é a vedete do almoço nestes dias. “Exceto quando está muito calor, substituímos por outras opções. Mas, no geral, a feijoada é quase obrigatória na quarta e sábado”, observa a nutricionista Renata Biondi, de um restaurante da região da Vila Cardia.


Apesar de ainda não ter a mesma majestade “feijuca”, outro prato desponta como realeza no paladar do almoço bauruense, principalmente na sexta-feira e sábado. O filé à parmegiana, principalmente do de carne bovina, é uma das opções prediletas e faz parte do cardápio semanal em quase todos os restaurantes ouvidos pelo JC semana passada.


“Chegamos a preparar o bife (à parmegiana) em três dias da semana, tamanha a procura”, observa o dono de restaurante Ivonei Vivian, o “Gaúcho”.


Como o próprio apelido entrega, ele é proprietário de churrascaria. Embora trabalhe com todos os tipos de carne assada, a semana inteira, a variação de cardápio e estabelecimento do prato do dia, salienta, é importante para agradar a gregos e troianos. “Há muita saída para determinado tipo de comida em cada dia da semana”, justifica.


O parmegiana está presente praticamente a semana inteira, com maior incidência na sexta-feira e, observam comerciantes do setor, caiu no gosto e surge como tendência. “A procura é grande pela receita”, observa Alfeu, destacando versão grelhada do prato, com a carne gratinada junto ao parmesão, sem fritura.


Contudo, os miúdos também agradam, e muito, o bauruense na hora do almoço. Dobradinha, moela de frango e rabada também aparecem na lista de muitos restaurantes como sugestão do dia.


“É ótimo sugerir ao cliente que, muitas vezes, está em dúvida sobre o que vai comer. Antes de tudo, o garçom é um vendedor”, salienta o coordenador do curso de Gastronomia da USC.

Tradição ‘importada’

A explicação mais precisa sobre o costume da feijoada, principalmente, aos sábados, remonta à colonização portuguesa.


Os lusitanos, destaca o historiador Caloca Fernandes, em entrevista à revista “Mundo Estranho”, da editora Abril, têm enraizada a cultura de associar pratos aos dias da semana. A nossa feijoada, ao contrário da fama de ser um prato originado nas senzalas, seria também influenciada pela culinária lusitana. A feijoada transmontana é típica do norte do país ibérico.

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