Chegou o dia dos noivos João Batista e Mariani Ribas darem os passos para uma grande transição em suas vidas no altar da Igreja Nossa Senhora de Fátima. Um casal como tantos, uma igreja arrumada para enlace matrimonial, o padre Juliano para observar o que são os votos do matrimônio e abençoar mais um casal. Padrinhos, familiares e amigos testemunham o ambiente de alegria. Todo o script conhecido passado e repassado, ensaiado e pronto. É só soltar a música.
Arquivo pessoal |
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Naipes de metal de cordas e metal deram um show executando repertório popular e erudito |
No primeiro grande momento, entra a noiva toda de branco, no altar os casais de padrinhos o padre dois trompetistas. De surpresa o noivo avança também tocando trompete. Dias antes ele confidenciou ao JC que, se estivesse calmo, faria uma surpresa para Mari.
No casamento de Joãozinho e Mari a música ganhou um protagonismo diferente. O músico Anderson Fernandes fez os arranjos de praticamente toda a trilha sonora escolhida uma a uma pelo casal. As músicas do casamento religioso foram executadas ao vivo por um grupo musical de 14 pessoas. O naipe de cordas com viola, dois violinos e violoncelo. Os metais, sax, flauta transversal e quatro trombones. A banda com formação tradicional de teclado, contrabaixo, bateria e guitarra. Completa o instrumental o revezamento das vozes do guitarrista mandando bem no vocal e uma cantora.
Musical
Um casamento por si já tem todo o glamour por mais despojados que sejam os noivos. No caso de Joãozinho e Mari contaram os detalhes para a música ganhar ares de show. Noivos não esqueceram que estão em uma cerimônia religiosa. Os padrinhos entram ao som de “Monte Castelo”, letra adaptada por Renato Russo do soneto 11 de Luiz Vaz de Camões e o texto bíblico “O amor é um dom supremo”, escrito pelo apóstolo Paulo à Igreja de Corinto (1 Coríntios 13). Joãozinho observa que Mari aprecia demais a banda Legião Urbana. “Os padrinhos são muito especiais para nós”, emenda o noivo.
Na sequência, o noivo caminha para o altar ao som de uma declaração de amor presente na música “Duas Metades”, dos sertanejos Jorge e Mateus. Joãozinho se entusiasma na hora de comentar a escolha dessa canção romântica. Até que se ouve a inconfundível “Marcha Nupcial”. Daí o cenário foca Mari caminhando ao encontro de Joãozinho enquanto ecoa o som de “Clarinada” seguida da “Marcha”. Executada por dois trompetistas com participação especial de Joãozinho.
Sonho não acabou
Segue a cerimônia musical. Vem uma versão medley dos The Beatles ambientando os convidados a um encerramento intenso. A saída do casal acontece em apoteose no balanço de “I Feel Good”. Muita gente balançou com a vibração do conjunto ao som de James Brown.
Musicalidade dos noivos
Se Mari vestida de noiva foi uma surpresa para Joãozinho. A noiva desfilou pelo tapete vermelho da Igreja Nossa Senhora de Fátima com a surpresa do noivo tocando trompete. Na semana que antecedeu o casamento ele disse que tentaria, se estivesse tranquilo, surpreendê-la. E foi mais uma grande surpresa.
Muito da história de amor da psicóloga Mariani da Costa Ribas, 27 anos, e do educador físico João Batista Mariano do Prado, 31 anos, pode ser conferida no site www.marianiejoaozinho.com.
A publicação na Internet também é personalizada com músicas que de alguma maneira dizem a respeito dos noivos. O internauta de pronto já se depara ao entrar na página com “Seguindo o Trem Azul”, do grupo Roupa Nova, na sequência “With Or Without You”, da banda irlandesa U2, e segue com “I Need You”, do The Beatles.
O início dessa união, há quatro anos, foi em uma academia em Bauru onde, entre um exercício e outro de musculação executado por Mari, o instrutor Joãozinho jogava um charme e acabou por conquistar a aluna.
Dia 28 de abril de 2012, os namorados se tornaram noivos. Durante um ano e meio eles prepararam o casamento no civil, a festa, a lua de mel e a cerimônia religiosa realizada na noite do sábado, 5 de maio. O noivo comenta que, geralmente, os preparativos ficam por conta da noiva e da mãe da noiva. No caso deles, Joãozinho e Mari vivenciaram juntos o período saboroso de organização do casório. Eles contam que tudo foi feito a dois ampliando a expectativa e emoção para o grande dia.
O casal tem muito em comum. Mari vem de uma família em que a música está muito presente. Ela tocou violão quando adolescente nas missas em Neves Paulista, município em que nasceu. Formava um grupo com sua mãe Maria Madalena da Costa e o irmão José Ricardo da Costa Ribas. Também em missas, Joãozinho toca percussão e trompete. Formou com Tiago Barreta e Bruno Malufe a banda católica Sal e Luz. Também tocou na fanfarra do Escola Estadual Ernesto Monte, quando conheceu os músicos Devanildo Balmant e Márcio Freitas, na época já instrutores da fanfarra. Todos os músicos integram o grupo musical formado para o casamento no religioso.
Trilha sonora
Quem esteve na cerimônia religiosa na Igreja Nossa Senhora de Fátima compartilhou da felicidade de Mari e Joãozinho brindado com um show do grupo musical que presenteou o casal. Os noivos comentam que contratar um grupo musical como o formado por seus amigos custaria pelo menos R$ 3 mil. Se a opção fosse pelo serviço disponível no mercado de festas, talvez encontrassem dificuldade em encontrar uma banda com domínio do repertório escolhido.
Durante quatro domingos, os 14 músicos se reuniram no estúdio do baterista Décio Martins da Silva, o Decinho, para ensaios. O tecladista Anderson Fernandes, um dos amigos do noivo, relembra que recebeu a encomenda de montar os arranjos ainda no ano passado e topou. O tempo passou e veio a conversa definitiva entre Joãozinho e Anderson. Anderson embarcou na ideia de Joãozinho e acrescentou sua sensibilidade musical. O arranjador conta que só não é seu o arranjo da Marcha Nupcial e “A Whole New World”. As seis músicas e o Medley do The Beatles foram inteiramente trabalhadas para casar Mari e Joãozinho.
Anderson conta que orientou os arranjos para que todo o grupo musical executasse o repertório clássico e popular. “Algumas, claro, foram arranjadas mais para a orquestra e outras mais para a banda”, detalha. O arranjador confessa que o medley dos The Beatles deu mais trabalho, mas também trouxe o resultado mais gratificante. O grupo de Liverpool não é uma preferência de Anderson. “Apesar de ser uma banda que não figura entre as minhas favoritas e que eu sempre digo não gostar, foi interessante trabalhar em cima delas e poder focar em todos os instrumentos que utilizamos”, comemora.
Anderson conta que tem somente dois anos básicos de estudo de música, cursados ainda quando era criança. “Fiquei 10 anos com um teclado de iniciante porque eu queria porque queria tocar na Igreja e o teclado que tinha lá era mais básico ainda”, relembra.
O músico aplica na música muito da sua intuição. “80% do que faço hoje aprendi fazendo e em contato com outros músicos. Ainda há coisas que faço mas não sei o que são”, defini. Ele cursa ciências da computação e trabalha como designer sonoro em uma empresa de Bauru. Ele e amigos transformaram um projeto musical na banda Ohpera.