O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, disse ontem que todos os integrantes do governo apoiam sua posição de continuidade na União Europeia, um dia após dois ministros dizerem que votariam pela saída do bloco econômico.
Em reunião do Partido Conservador em janeiro, Cameron defendeu a realização de um referendo público sobre a permanência dos britânicos no bloco em 2017. Ele também defendeu negociações para reformas que deem mais competitividade ao bloco europeu.
Em entrevista antes de uma viagem aos Estados Unidos, ele tentou diminuir as divisões internas e disse ter apoio de todos os ministros. “O que importa é ter certeza de que vamos fazer tudo o que pudermos para reformar a UE para que quando tivermos o referendo possamos dar ao público britânico uma escolha real”.
“Cada ministro conservador está confiante de que seremos capazes de realizar essas mudanças. Estamos todos confiantes no sucesso.”
Anteontem, o ministro da Defesa, Philip Hammond, disse à BBC que votaria contra a permanência na União Europeia se a eleição fosse agora. Horas antes, o titular da Educação, Michael Gove, disse que “a vida (fora da UE) seria perfeitamente tolerável” e inclusive “haveria algumas vantagens”.
Porém, ambos os ministros expressaram seu respaldo à estratégia defendida por Cameron para renegociar a posição do Reino Unido com a União Europeia antes de convocar a consulta popular.
Obama pede calma
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, interveio ontem no emotivo debate da Grã-Bretanha sobre seu envolvimento com a União Europeia, recomendando ao primeiro-ministro britânico, David Cameron, que “conserte” sua relação com o bloco antes de pensar em um desligamento.
Em entrevista coletiva conjunta na Casa Branca, Obama agradou aos assessores de Cameron por dar apoio à sua estratégia para a UE, num momento em que o líder britânico enfrenta uma rebelião de parte do seu Partido Conservador por causa da questão, que coloca em risco sua esperança de reeleição em 2015.
Na sua declaração mais forte sobre o tema até agora, Obama disse concordar com a avaliação de Cameron de que a UE tem falhas, mas que convém tentar reformar o bloco de 27 países antes de convocar os britânicos para um plebiscito sobre a permanência.
“Vou dizer o seguinte, que o ponto básico do David, de que provavelmente a gente quer ver se consegue consertar o que está quebrado em uma relação muito importante antes de romper com ela, faz algum sentido para mim”, disse Obama.