O que já era esperado se confirmou. Os casos de dengue em Bauru superaram, ontem, o recorde histórico da doença, registrado em 2011. Em apenas quatro meses e meio, a cidade já soma 4.399 pessoas infectadas, 45 a mais do que as 4.354 contaminadas em todo o ano retrasado. A Secretaria Municipal de Saúde, no entanto, informa que não há motivo para alarde e que não haverá alteração nas estratégias de prevenção, tratamento e combate adotadas até o momento.
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Em apenas quatro meses e meio, a cidade já soma 4.399 pessoas infectadas |
Dos 4.399 casos confirmados pelo município, 4.388 são autóctones (contraídos na própria cidade) e 11 importados, sendo que dois resultaram em morte. Em 2011, seis pessoas morreram em decorrência da dengue. “A queda na letalidade demonstra que estamos mais preparados para enfrentar a doença”, pontua o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti.
Ele explica que são múltiplos os fatores para que a epidemia superasse a marca histórica. Entre eles está a não interrupção do ciclo de transmissão da doença, que começou a acometer a população mais cedo do que em outros anos, ainda no mês de janeiro.
“Provavelmente, os níveis de infestação do Aedes aegypti permaneceram altos de um ano para outro e não deixamos de ter mosquito contaminado circulando. Isso decorre de uma série de fatores, que vão desde a variação no regime de chuvas e temperaturas, além de outras causas que a ciência ainda não domina”, observa.
Até o momento, a epidemia de dengue é resultante de contágios pelo vírus tipo 1, que não difere dos demais (tipos 2, 3 e 4) em relação à gravidade, mas que também foi o responsável pelo recorde anterior, de 2011. Naquele ano, a região Oeste – a mais afetada em 2013 - havia sido pouco atingida.
“Sempre que infectado por um tipo de vírus, o paciente se torna imune àquela variante. Então, naquela região - que inclui as vilas Independência, Ipiranga, Industrial e Dutra – havia um estoque alto de pessoas suscetíveis. E foi lá onde os casos se concentraram no início de 2013”, frisa o secretário, sem descartar a possibilidade de o vírus do tipo 4 também estar circulando na cidade.
Sem alarde
De qualquer maneira, Monti destaca que não há motivo para alarde e que os procedimentos de rotina para prevenção e tratamento da doença permanecerão os mesmos. Até mesmo porque, a partir de agora, com o fim do período de chuvas e a chegada do frio, a infestação tende a diminuir, já que o mosquito Aedes aegypti precisa de água e calor para se reproduzir.
“Mesmo assim, as ações de controle não serão reduzidas, para que a gente possa coibir casos futuros. Mas é importante ressaltar que esta epidemia é muito parecida com a de 2011 e as pessoas não devem se desesperar”, considera.
Ainda de acordo com o secretário, Bauru não está entre as cidades paulistas com maior volume de pessoas contaminadas, situação vivida, por exemplo, por São José do Rio Preto e Santos, que contabilizam, respectivamente, mais de 8,5 mil e 6,5 mil infectados.
O levantamento de casos de dengue é realizado pela Secretaria Municipal de Saúde desde 1989. No entanto, devido à informatização tardia do sistema de dados da pasta, o comparativo só pode ser feito a partir de 2008.
Subnotificações
Em matéria recente publicada pelo Jornal da Cidade, o Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde informou que o índice de subnotificações pode chegar a 50% do montante confirmado. O principal motivo é que muitos pacientes que apresentam os sintomas da dengue acabam desistindo de realizar o exame, que só pode ser feito após o quinto dia de manifestação de febre.
Sendo assim, para cada dois casos contabilizados, ao menos um não seria registrado. Se tivessem sido, a quantidade de doentes em Bauru alcançaria, até o momento, 6.598 pessoas.
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