Tribuna do Leitor

Furtando os dividendos com o padre


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Bauru entrou na mídia internacional ao expor as vísceras do episódio com o ex-pe. Beto, com comoção geral em alguns setores e rejeição de outros mais conservadores. Do ponto de vista deste articulista, acho uma ignomínia o casamento e adoção de crianças por duplas do mesmo sexo não apenas por não ser "tradicional" ou ofensa religiosa, mas por ser incompatível com a biologia humana, animal e vegetal desde os primórdios. Acredito que se a natureza, em sua sabedoria e magnificência, adotou o sistema sexuado entre macho e fêmea desde os primeiros ciclos reprodutivos, foi por alguma razão coerente.

Todavia, a interpretação popular da excomunhão tem prescindido de inteligência, especialmente pelos grupos homossexuais. O pe. Beto não foi exonerado em razão do sua opinião sobre a homossexualidade. Foi por sua insubordinação! Ao receber a ordenação, fez o juramento divino não apenas para seguir os conceitos (certos ou errados) da Santa Sé, mas de ser fiel ao seu pastor, ou seja, seu chefe imediato. Toda organização é assim. Um militar não pode questionar seu comandante porque discorda do que foi ordenado. Um empregado não pode mudar a ordem do patrão apenas porque pensa o contrário. Chefe é chefe e ordens são ordens! E no sacerdócio e sua consequente hierarquia, erradamente o pe. Beto decidiu pelo voo solo. Ora, um padre está a serviço da igreja, e não o contrário. Se a Igreja outorgou-lhe poderes para falar em nome dela, o pe. Beto não poderia agir por conta própria, erigindo conceitos humanos ou filosóficos que não são os mesmos princípios basilares de sua organização sacerdotal.

Não questiono se os dogmas da Igreja devem ser revistos. A questão é simples: se eu pertenço a um setor e não estou contente com ele, eu que me mude! Se estou assistindo um canal e não gosto da programação, que eu mude! A exploração midiática do ex-padre e dos grupos de apoio são, em verdade, a ilegítima distorção e apropriação indébita dos dividendos conceituais e políticos da questão. E exploram de forma torpe, fantasiosa, colocando-se como vítimas de uma inexistente inquisição do século XXI. Se outrora o pe. Beto ganhou asas para voar, é triste ver que as tenha usado para se perder. Foi apenas vítima do seu próprio ego.

Ivan Goffi

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