Na Praça Machado de Mello e adjacências dificilmente iremos encontrar algum prédio que não foi pintado pelas mãos do pintor Zé Carlos. Pois bem, esse talento da pintura foi encontrado morto em uma casa abandonada da Vila Falcão, em estado de mendicância total. No interior do hotel, seja nos corredores ou nos quartos totalmente vazios, só restam as marcas de seu talento, a restauração nas paredes valorizando a arquitetura antiga, com a pintura moderna, provavelmente seus últimos trabalhos.
Quando o hotel social foi interditado, o Zé Pintor também teve que deixar a dependências do hotel. Hotel que lhe acolhia, com um quarto, cama, cobertor, lençol limpo, café da manhã e dignidade. E diante desse acontecimento, faço algumas perguntas. E os outros moradores do hotel social, por onde andam? Por onde dormem? Pois teremos longas noites frias com a chegada do inverno.
Quero agradecer às polícias Militar e Civil, funcionários da Emdurb que trabalham no Cemitério da Saudade, Cras do Jd. Ferraz, IML, que nos ajudaram para que fosse feito um sepultamento digno. Zé Carlos Pintor, filho da Machado de Mello, como ele próprio se identificava, para muitos você era um excluído da sociedade, hoje com certeza você deve estar colorindo algum cantinho do céu. Com certeza nesse lugar você será chamado de cidadão dos céus.
Ercules Moreno - ex-administrador do hotel Milanês