João Rosan |
|
|
Voluntário Jaime Prado ajuda a recuperar peça na Paróquia Santa Terezinha, Centro: instalação da década de 50 |
Daqui a 20 dias, moradores, comerciantes e frequentadores do Centro de Bauru voltarão a escutar as badaladas do famoso e imponente sino de bronze da torre da Paróquia Santa Terezinha do Menino Jesus. Após 13 anos com os ponteiros parados às 7h43, o relógio mecânico voltará a informar as horas, depois de receber uma restauração pelas mãos de voluntários e apaixonados pela história da cidade.
Instalado na década de 1950 no alto da torre da igreja, localizada na praça Rodrigues de Abreu, o relógio italiano da marca Michelini foi produzido por uma antiga fábrica na Capital, em meados de 1940.
Além da torre da igreja no Centro de Bauru, outras máquinas do mesmo tipo informam as horas na Estação da Luz e no antigo Mappin, em São Paulo.
Por décadas, a peça do tempo entoou horários de casamentos, festejos e missas realizados na paróquia, mas em 2000 acabou parando por problemas no maquinário.
A restauração
Comovido ao saber da situação do relógio em abril deste ano, o jornalista Jaime Prado, 60 anos, que também afirma ser um apaixonado pela história de Bauru, resolveu pedir permissão ao pároco da igreja, padre Paulo Tavares, para restaurar a peça gratuitamente.
Em uma conversa com o professor e empresário do Grupo Preve, Duda Trevizani, o idealizador conseguiu patrocínio para iniciar o trabalho, que possui mão de obra voluntária de Roberto Pinheiro também.
Em 17 dias de trabalho, o relógio foi desmontado, remontado, ganhou novas peças, limpeza e lubrificação. O valor da restauração não foi divulgado.
“Subir e descer as escadas de madeira é fazer uma viagem no túnel do tempo escondido. Restaurar essa máquina do tempo é um prestígio e um compromisso assumido publicamente com a Cidade sem Limites”, comenta Jaime, acrescentando que chega a subir e descer de oito a dez vezes por dia a escada com 78 degraus.
“A escada em madeira de lei peroba rosa não existe mais nas nossas matas. Visto de baixo para cima, o relógio parece um túnel do tempo sem saída. Subir e descer cansa, mas todo esforço é recompensado pela paixão e missão de restaurar e preservar nossa história”, reforça Jaime, afirmando que, em alguns momentos, chegou a se emocionar ao ver o estado em que o relógio se encontrava, sujo e enferrujado.
Em 2007, o relógio da torre do Instituto Lauro de Souza Lima, em Bauru, também recebeu restauração pelas mãos de Jaime e voltou a funcionar.
Para o professor Duda Trevizani, a iniciativa deveria ser vista com mais atenção e até mesmo copiada pelo poder público. “O Brasil é um país que não preserva muito a sua história. Quem sabe isso não faz com que a própria população e até a prefeitura comecem a recuperar outras coisas pela cidade”, finaliza.