Política

Emdurb mira autores de dano ao patrimônio

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Preocupada com o crescente número de postes e placas de sinalização danificados nas ruas, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) começou a investigar ocorrências desta natureza, na tentativa de identificar e punir os autores. Segundo levantamento da autarquia, a cada dia, cerca de dez postes quebrados são recolhidos e substituídos por novos, num um custo anual que supera os R$ 30 mil.

“Isso, claro, sem contar o custo com mão de obra e placas, que, muitas vezes, também são vandalizadas. É um retrabalho. Enquanto poderia estar melhorando a sinalização da nossa cidade, nosso pessoal se ocupa com a recuperação do que é danificado”, lamenta o presidente da Emdurb, Nico Mondelli Júnior.

De acordo com ele, a investigação será feita por meio da solicitação de imagens de câmeras de monitoramento de estabelecimentos e residências das imediações de onde houver dano de postes amarelos e placas de sinalização, postes de semáforos e abrigos de pontos de ônibus. A busca pela identidade do autor também poderá ser feita através de informações de boletins de ocorrência ou mesmo denúncia anônima feita por pessoas que testemunharem os acidentes de trânsito ou atos de vandalismo.

Dois funcionários do setor de sinalização viária da Emdurb serão responsáveis por este trabalho, independentemente de qualquer ação realizada pela polícia. Se identificado, o autor será notificado a custear a reposição da peça, além de pagar a mão de obra para instalação de uma nova no local.

E o valor não é tão pequeno. Segundo dados da Emdurb, sem incluir o gasto com pessoal, o poste de concreto custa R$ 88,26. Já uma placa nova fica em R$ 94,91. Se a peça estragada for reformada, o montante cai para R$ 78,08. Já o poste de um semáforo custa R$ 758,16. Mas, se houver danos nos grupos focais (onde ficam as luzes) e no controlador, por exemplo, o valor pode chegar a R$ 12 mil.

“O que a gente percebe é que a população não se dá conta dos prejuízos que provoca à cidade e não se responsabiliza, mesmo que em um acidente, pelo dano que provoca ao patrimônio público”, frisa Mondelli.

Crescente

Ele explica que a decisão de investigar os casos foi tomada devido ao crescimento do número de ocorrências desta natureza, provavelmente resultante do aumento da frota na cidade nos últimos anos. E, na maioria das vezes, quem paga a conta é a própria Emdurb, já que dificilmente o autor é localizado.

“Isso porque, por questões de segurança, os postes são fabricados de maneira que se quebrem facilmente em um acidente. Então, geralmente, a pessoa bate, manobra o carro e vai embora”, comenta o presidente.

Foi o que fez um motorista de 26 anos no início do mês passado. Alcoolizado depois de sair de uma festa, ele acabou perdendo o controle da direção e colidiu em um poste de sinalização. “Fiquei com medo de a polícia aparecer. Como não aconteceu nada sério com o carro e já estava a uma quadra de casa, decidi ir embora”, relembra ele, que preferiu não se identificar.

De acordo com Mondelli Júnior, além de contar com o apoio da população para as denúncias, ele espera que os próprios motoristas se conscientizem e procurem a Emdurb em caso de acidente, antes mesmo de serem identificados. “Não precisa explicar o motivo do dano. O que a gente quer é que a pessoa seja responsável pelo problema que ela provocou”, frisa.


Denúncia

A comunicação sobre postes danificados e pistas sobre autores de vandalismo ou acidentes de trânsito devem ser informadas à Emdurb pelo e-mail emdurb@emdurb.com.br ou pelo telefone (14) 3233-9077.


Mobilização

De acordo com Nico Mondelli Júnior, a partir da iniciativa da Emdurb, a ideia é mobilizar todos os organismos que enfrentem o mesmo problema, tais como o Departamento de Água e Esgoto (DAE), CPFL e outras secretarias municipais, como a de Obras, Planejamento (Seplan) e Desenvolvimento Econômico. “São constantes os problemas com furto de tampas de bueiro, fiação elétrica, quebra de postes de placas toponímicas (com nomes de ruas, de responsabilidade da Seplan) e lâmpadas de iluminação de praças públicas. Até bomba de poço artesiano já foi levada. O custo e o tempo demandados para este retrabalho não são pequenos e isso só atrasa o desenvolvimento da cidade”, observa.


Substituição

Sempre que um poste de sinalização é derrubado, a substituição deve ser feita no mesmo dia, ou, no mais tardar, em 24 horas. Sem a devida orientação, o trânsito se torna vulnerável e aumentam exponencialmente os riscos de acidentes, conforme explica o presidente da Emdurb. 

“Quando falta uma placa de pare, por exemplo, o motorista pode atravessar o cruzamento e provocar um acidente grave. Pode ser uma questão de vida ou morte e a Emdurb pode responder por isso, mesmo não sendo a responsável direta pelo poste que foi quebrado”, pondera.

O mesmo ocorre em relação aos semáforos, mas o número de acidentes envolvendo este tipo de equipamento é bem menor. De acordo com Mondelli Júnior, neste ano, foram apenas quatro colunas semafóricas danificadas.

No caso mais recente, registrado na manhã de anteontem, um poste de semáforo localizado na quadra 31 da avenida Nações Unidas foi atingido por um veículo que transitava no sentido Núcleo Geisel-Centro. A substituição da coluna, assim como de um grupo focal que foi quebrado, demandou mais de três horas de trabalho.

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