Éder Azevedo |
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Luís André Chella sairá amanhã de São Carlos e cruzará o Estado de Minas Gerais rumo a Aparecida |
Aos 44 anos e com o pé no pedal há quase 20, o bauruense Luís André Chella quer vencer mais um desafio com sua bicicleta e completar o percurso do Caminho da Fé pela primeira vez. O trajeto, que sai neste domingo da cidade de São Carlos, cruza o Estado de Minas Gerais e se encerra na cidade de Aparecida (SP). É um famoso percurso de peregrinação do Brasil somando 622 quilômetros, quando passado por outras cidades.
Chella, que já cruzou o Estado de São Paulo e o Brasil nos anos de 1995 e 1996, conta que já passou por este caminho, mas como o projeto se desenvolveu, agora precisa finalizá-lo. “Eu já fiz de Cravinhos até Aparecida, mas agora quero passar pelas outras cidades ramificadas, que é a parte mais difícil, com abismos e pedras”, explica. O bauruense também conta que, apesar das dificuldades, esta região é muito bela, e que durante o trajeto é possível fazer uma boa reflexão e conhecer a natureza mais de perto.
Mas pedalar não é tão simples quanto parece. É necessário todo um preparo para que não haja problemas durante a viagem. “Pedalar exige todo um preparo físico e mental. Essas viagens que eu faço são preparadas durante meses. O percurso, os suprimentos básicos, onde parar, quanto levar na viagem. Além, é claro, uma boa alimentação, boa noite de sono e de praticar o esporte todos os dias para aguentar qualquer caminho”, ensina.
Na bagagem, que pode chegar a 35 quilos, o básico, como roupas, primeiro socorros, protetor solar, mapa, máquina fotográfica, além de ferramentas que possam ser usadas caso haja problemas com a bike.
Em cada viagem, o ciclista diz aprender uma lição para que o erro não seja repetido em uma próxima aventura. “Uma vez fui viajar e calculei a quantidade errada de água, e eu estava no sertão nordestino. Passei muita sede, achei que fosse morrer”.
Paixão
Pizzaiolo nas horas em que não está nas estradas, Chella conta que a bicicleta se tornou sua grande paixão, desde os três anos de idade. A partir daí ele nunca mais parou.
Na adolescência, competiu nas modalidades do ciclismo e depois surgiu o desejo de viajar. Em 1994 ele fez, sozinho, sua primeira viagem de Bauru a Araçatuba e depois começou a praticar essas viagens frequentemente. “Nesta minha primeira viagem parei em um posto e um frentista contou que há uns dias outro ciclista havia passado lá, mas rumo à Bolívia. Aquilo não me saiu da cabeça e resolvi me desafiar, depois não parei mais de viajar”, relembra.
Nos anos seguintes, Chella cruzou o Estado, o país, pedalou por mais de 18 estados e chegou a pedalar 12 horas em um único dia. Sua viagem mais longa foi de Natal (RN) a Bauru somando dois meses e meio sobre a bicicleta, em 2002.
A curiosidade fica por conta da companhia que, na maioria das viagens, é apenas a sua bicicleta, seja nas rodovias ou nas trilhas. “Graças a Deus nunca passei nenhum sufoco nessas viagens por ir sozinho. Nas mais longas um amigo meu sempre vai comigo, mas nunca fomos assaltados ou coisa do tipo”, explica.
Todas as viagens de Chella, de 1996 até hoje, estão sendo registradas por ele mesmo em um livro. Sua pretensão para publicá-lo é depois de atravessar as cordilheiras entre Montevidéu, capital uruguaia, até Santiago, no Chile, uma distância de 1.400 km. “Acho bacana compartilhar com os outros tudo o que eu conheci, como as pessoas, as histórias e a geografia. Mas não vou parar por aí. Até onde eu tiver saúde e condição, vou continuar na estrada”, finaliza.
O percurso
Comparado com o histórico Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, o Caminho da Fé possui quase 500 km de extensão, e em sua maioria atravessa a Serra da Mantiqueira, uma vasta cadeia montanhosa, através de estradas, trilhas e bosques.
Chella irá de Bauru a São Carlos de ônibus e, a partir de lá, começará o percurso, passando por mais de 25 cidades e podendo chegar a uma altitude de 2 mil metros. Ele acredita fazer o caminho em, no máximo, 15 dias.
