A eliminação precoce na Copa Libertadores trará para o Corinthians uma consequência tão ruim quanto o fim do sonho do bicampeonato: a saída de um jogador considerado peça-chave no meio de campo da equipe. Após a final do Campeonato Paulista neste domingo, Paulinho pode ter o mesmo destino de Neymar: a Europa. O jogador mais valioso do time reaparece na lista de reforços dos principais clubes do exterior.
Seu preço estipulado na multa contratual: 20 milhões de euros (R$ 52 milhões). O favorito: a Internazionale, com quem já houve duas negociações – uma no ano passado e outra em janeiro deste ano. “Nenhum jogador será vendido durante a Libertadores”, prometia o presidente Mário Gobbi a todas a perguntas sobre a possibilidade de perder Paulinho e outros jogadores.
A Libertadores se foi e iniciou-se um novo ciclo. E a diretoria do Corinthians, por mais que ainda relute em vender o volante, está de mãos atadas. Houve um pacto, um acordo informal, de que se houvesse nova investida nesta janela de transferências o clube não iria mais impor restrições às negociações. A exigência é de que Paulinho seja vendido por valor muito próximo ao da multa. Isso porque o Corinthians detém apenas 50% dos direitos econômicos de Paulinho – os outros 50% pertencem ao Audax, clube do Pão de Açúcar. A proposta que a Internazionale havia feito ao Corinthians, em janeiro, foi de 15 milhões de euros, o dobro da de 2011. O valor foi considerado excelente pelos dirigentes, mas havia a Libertadores no meio do caminho. “Não podemos completar a transferência. Será mais fácil contratá-lo em junho do que agora. Não é um problema de dinheiro, tem mais a ver com o comprometimento do jogador com o seu clube em seu país”, afirmou à época Massimo Moratti, em entrevista na Itália.
A Internazionale não foi o único time europeu que se interessou pelo jogador – o CSKA Moscou foi outro, além de equipes de Portugal e também da Espanha. “Se vou embora no meio do ano eu não sei, o que posso falar é que agora tomei a decisão de ficar. Quem decide meu futuro sou eu”, foi o que disse Paulinho ao recusar a oferta da equipe de Milã
Seleção
Segundo pessoas próximas a Paulinho, ele queria escolher o clube certo, aquele em que tivesse certeza de que teria chance de jogar, de preferência na Itália ou na Espanha – um cuidado de quem já se aventurou na Polônia e na Lituânia antes mesmo de completar 18 anos.
A preocupação de Paulinho era trocar o Corinthians campeão do mundo no Japão por um clube de menor expressão na Europa. Isso poderia prejudicar sua trajetória na seleção brasileira. A decisão se mostrou acertada. Assim como Neymar, Paulinho disputará a Copa das Confederações em junho. Nesse período é que surgirão novas propostas pelo meia, que tem como agente Giuliano Bertolucci, o mesmo que negociou atletas como Oscar, do Chelsea, também convocado por Felipão para a seleção.
Se o último jogo de Paulinho não for neste domingo, contra o Santos, a despedida poderá ser na estreia do Campeonato Brasileiro, no sábado, contra o Botafogo, no Pacaembu. Depois ele se apresentará à seleção, para os treinamentos visando à Copa das Confederações.