Apesar de defensores do sistema garantirem a legalidade da prática, o método da pirâmide financeira é questionado, inclusive com investigações abertas pelo Ministério Público (MP). O site da empresa Telexfree também é um dos líderes de contestações no portal Reclame Aqui (www.reclameaqui.com.br), inclusive com pessoas se dizendo lesadas ao não receberem rendimentos após a adesão.
A atuação da empresa é alvo de apuração por parte da Promotoria em sete Estados. Em Bauru, contudo, não há averiguações ou denúncias, de acordo com Ministério Público e Polícia Federal (PF).
No caso de pirâmide, o esquema não se sustenta e, depois de algum tempo, a bolha tende a estourar, observa o delegado Ênio Bianospino, adjunto de investigações da PF em Bauru. “Toda situação mal explicada gera desconfiança”, admite. “Mas, até o momento, não há informações sobre alguém que se sentiu lesado”, acentua.
Caso haja prejudicados, diferencia o policial, há prática de estelionato. “Mas, até então, não podemos falar em crime, pois não temos vítima”, reforça.
No Procon, ao menos em Bauru também não há formalização de queixas. “As reclamações que chegam até nós são referentes aos serviços ou produtos. Não temos qualquer queixa da Telexfree ou alguma empresa semelhante”, descarta Rodrigo César Bueno Noronha, coordenador interino do serviço de atendimento ao consumidor em Bauru.
Pobre base
Em casos comprovados de pirâmide financeira, observa o economista Carlos Sette, são sempre os membros mais recentes, no caso a “base” do esquema, que pagam os lucros de quem está na parte de cima. “A maioria perde dinheiro e é a base quem paga, com prejuízo. Uma minoria ganha dinheiro”, salienta.
Para o especialista, a promessa de dinheiro fácil, admite, é sedutora para muitos, principalmente para quem está com o orçamento no vermelho. “O discurso de quem incentiva novas pessoas a entrar nos esquemas é envolvente, uma lavagem cerebral”, considera. “Quem ganha um dinheiro no começo, se ilude”, acentua.
Luís Nassif, analista econômico, questiona modelos como o Telexfree. De acordo com o economista, em participação na TV Brasil, a remuneração apenas por inserção de anúncios em determinado site da internet caracteriza a suposta ilegalidade. “O anúncio, por si, não gera receita”, argumenta.
De maneira geral, sem especificar o polêmico modelo adotado pela empresa de telefonia americana, o economista Carlos Sette não aconselha participações. “Eu acompanho mercado e, como investidor, não entro”, reprova o especialista.
Pirâmide x marketing
Pirâmide não deve ser confundida com marketing multinível. A divulgação em rede, mas com um patrimônio líquido de garantia real sustentando a operação, é uma prática legal, explicam analistas. A ilegalidade consiste em sustentar integrantes antigos mediante prejuízo de clientes novos.