Chega um momento da vida que um tal de reloginho desperta e as mulheres decretam: é hora de ser mãe. Algumas geram seus filhos em seu próprio ventre, mas outras os têm no coração. A adoção, que é tema da novela "Sangue Bom", parece uma maternidade diferente, mas essas mulheres têm os mesmos medos, rotina e preocupações que as mães biológicas ou de primeira viagem. E o amor é tão incondicional quanto.
"Tinha medo pela saúde dos meus filhos, pois muitas crianças adotadas não tiveram uma gestação cuidadosa. Mas afora isso, adotar é estar pronta para amar", reflete a empresária Germana Moura, 43 anos, mãe de Roberto, 5 anos, e de Miguel, 2 anos.
Existe também o lado complicado dessa entrega total de amor: algumas adoções demoram a ser concluídas, como é o caso da analista de sistemas Denise Barreto, 49 anos, e de sua filhota Julia, de 1 ano e 8 meses.
"Até hoje, mais de um ano depois da adoção, ainda não consegui registrar a Julia como minha filha. Há um processo não concluído na vidinha dela", lamenta Denise.
Conheça outras mães e suas histórias de amor à primeira vista.
Denise Barreto, analista de sistemas, 49 anos
"Estava com 44 anos, não tinha filhos nem era casada, mas surgiu o desejo de ser mãe. Então, amadureci a ideia da adoção. Da habilitação até a Julia, que está com 1 ano e 8 meses, chegar, foi uma espera de quase três anos. Já estava renovando a habilitação, quando me ligaram falando dela. Bateu um medo. Afinal, nunca havia cuidado de um bebê antes e ela estava com 4 meses! Minha vida se transformou da noite para o dia. Além de ter que aprender a dar mamadeira, banho, etc, eu não tinha nada. Meus amigos se mobilizaram e, com uma semana dela comigo, fizeram um chá de bebê. Ganhamos tudo. De roupa a berço. Minha casa parecia uma feira. Daí pra frente está sendo uma delícia poder dedicar a minha vida a essa coisinha tão miúda. O único problema é o tempo que demora o processo. Estou há um ano e quatro meses com a Julia e ainda não consegui registrá-la como minha filha, pois ainda há um processo de destituição familiar em curso."
Germana Moura, empresária, 43 anos
"Quando eu e meu marido nos inscrevemos na habilitação, senti como se fosse o pré-natal da mãe biológica. Decidimos porque já estávamos casados há 12 anos, não tínhamos filhos e descobrimos, quando eu tinha 34 anos, a infertilidade. No início, as pessoas da minha família achavam um pouco estranha a ideia da adoção. Eu acho diferente. Vejo como uma gravidez enorme e um parto relâmpago. O Roberto, de 5 anos, chegou logo depois do meu aniversário. Foi um presentaço. Mas não dá para prever. Comprei tudo de um dia para o outro. Quando ele tinha 2 anos, me habilitei para o segundo filho, o Miguel, hoje com 2. Adotar é como ser mãe biológica. Só o começo que é mais complicado e longo devido ao processo."
O processo de adoção
Hoje em dia, a adoção "saiu do armário". Mães têm orgulho de dizer que escolheram seus filhos e eles, que foram escolhidos para serem amados. O mais desgastante é o processo, que pode durar até quatro anos, dependendo do perfil de criança escolhido. "Entretanto, um perfil mais generalizado, sem distinção de sexo, etnia ou idade, leva de meses a um ano", estima a advogada de infância, juventude e família Silvana Moreira, que explica o processo de adoção, passo a passo:
1. A família decidir adotar;
2. Ir à Vara de Infância do seu município;
3. Juntar os documentos requeridos;
4. Participar de um curso promovido pela Vara ou por convênio com o grupo de apoio à adoção, com três a cinco reuniões;
5. Dar entrada na habilitação para adoção na Vara;
6. Receber a visita de uma assistente social e um psicólogo judiciário, que produzem o relatório
7. O Ministério Público dar opinião favorável;
8. O juiz da Vara de Infância dar sentença a favor;
9. A futura mãe (e/ou futuro pai) ser inscrita no cadastro local e nacional de adoção;
10. Aguardar a ligação informando a disponibilidade da criança para conhecer e buscar seu filho.