Na campanha eleitoral de 2008, quando venceu o empresário Caio Coube (PSDB), o agora reeleito Rodrigo Agostinho (PMDB) se valeu de spot na propaganda de TV que ironizava afirmações do adversário com o verbete: paparapapá. O conteúdo tinha sempre a intenção de apontar para algo que não passaria de discurso, algo não realizável, segundo o então Rodrigo candidato. Aqui, empresto o mesmo verbete criado pelo jovem Agostinho para ponderar a respeito de ações que ele prometeu, são insolúveis, de difícil resolução, ou simplesmente estão na lista apenas do comando discursivo, algumas vezes com forte componente de silogismo. O paparapapá da castração de animais!
Rodrigo disse, em entrevista de março passado que será preciso criar setor específico, fora da área de Saúde, para que o município obtenha e aplique recursos de forma carimbada para eliminar a deficiência neste serviço. Ora, a reforma administrativa da Prefeitura de Bauru está no Palácio das Cerejeiras desde janeiro de 2009... Parece que ele assumiu a função há quatro meses. E, prefeito, calma lá! Aplicação de verba Vinculada não retrata o slogan "Co promisso com você" da campanha eleitoral. Esse tipo de recurso não pode ser desviado para outra finalidade, como seu governo vinha fazendo no fundo de esgoto. Portanto, se quer realizar a política de castração, resolva. Os bichinhos agradecem. O paparapapá da pavimentação!
Rodrigo quer financiar 700 quadras de asfalto com dinheiro de Brasília. Mas a engenharia é assim: eu gasto o financiamento e inauguro a obra e os próximos prefeitos pagam a conta. Aliás, em matéria de pavimento, a administração municipal finalmente reconhece que realizar tapa buraco é jogar dinheiro público no olho da rua. Não resolve. Ainda em infraestrutura... Agostinho Mendonça, por favor, o secretário de Obras, Sidnei Rodrigues, tem dito em bom som que com o dinheiro utilizado para pagar 60 quadras de recape por licitação ele faz, via Usina de Asfalto, 100 quadras. Aqui a menção não é por produção, mas de racionalidade financeira para o aperto no caixa a que a gastança com folha submeteu o Orçamento. Apesar da queda nos repasses da União, diga-se, o governo Rodrigo arrecadou muito acima da inflação. Mas a política fiscal é outro paparapapá! O paparapapá da segurança!
O prefeito enviou à Câmara Municipal projeto de lei que atende sobretudo aos interesses dos profissionais de maior patente da Polícia Militar, para a chamada atividade delegada. O convênio, em si, é mera fonte de nova despesa para o já apertado orçamento municipal. Não há plano de segurança municipal que o sustente. E nem interesse real de Rodrigo. E, com respeito, pagar escala extra de serviços que já são atribuição da PM não dá...
Em audiência pública no Legislativo, ficou evidente que o pano de fundo é pagar pró labore com dinheiro da Prefeitura para policiais. A essência, prefeito, é que segurança pública preventiva é tarefa do Estado. A reposição do efetivo das corporações é obrigação do Estado. O paparapapá do espaço urbano!
A Prefeitura fiscaliza mal, tem cadastro imobiliário do tempo da onça, fez ação para "inglês" após o grave episódio de segurança em boates e centenas de templos religiosos continuam a funcionar clandestinos... Ah, prefeito: onde está o projeto de revisão da lei de zoneamento? E a aplicação do IPTU progressivo? Por ora... Ah, ia me esquecendo: não vai retirar as lombadas eletrônicas pra sempre das ruas? O sistema é o único que adverte o motorista com luzes indicativas e multa muito menos que o "pardalzinho eletrônico". Fiquemos por aqui... até o próximo capítulo... paparapapá!
Nélson Itaberá Gonçalves, é jornalista e compositor