Neide Carlos |
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Encontro contou com a presença de prefeitos da região de Botucatu |
Até o final deste ano, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que opera 32 cidades da região de Botucatu (100 quilômetros de Bauru), deverá implantar em seus municípios de atuação, um serviço de cobrança por telefone com o objetivo de ampliar o contato com os consumidores inadimplentes, reduzindo assim o índice de corte e supressão de água a domicílios. A promessa foi feita pela diretoria da Sabesp durante um encontro realizado ontem em Botucatu, que reuniu autoridades e prefeitos das 32 cidades no auditório da Faculdade de Ciências Agronômicas, no câmpus da Unesp, para prestação de contas dos investimentos feitos pela companhia na região ao longo dos últimos três anos.
Em entrevista ao JC, a presidente da Sabesp, Dilma Pena, ressaltou os benefícios que a população e a própria companhia obteve com a implantação de um projeto piloto, nomeado como “Célula de Cobrança”, em Botucatu nos últimos meses.
“É uma experiência que vamos replicar rapidamente em outras cidades. Na prática, funciona da seguinte forma, temos funcionários em uma sala com uma relação das pessoas que ficaram inadimplentes naquele mês. Essas pessoas recebem nossa ligação para se lembrarem de efetuar o pagamento ou informarem que providências tomarão”, explica Pena, salientando que o projeto piloto de Botucatu apresentou resultados significativos, já que 60% dos consumidores contatados pelo serviço teriam agradecido a “lembrança” e efetuado o pagamento em até 60 dias, se livrando da taxa para religação do serviço.
“Essa coisa de entrar na casa do cliente para cortar a água é visto como algo muito agressivo. Com o novo sistema, podemos efetuar a cobrança direta por telefone e só cortaríamos o serviço em última instância”, completa o superintendente da Unidade de Negócios Médio Tietê da companhia, Mário Eduardo Pardini Affonseca.
‘Padrão Europeu’
O novo serviço não acontece de modo isolado. Trata-se de uma política da empresa que pretende reduzir as perdas, tanto com a evasão, como é o caso dos prejuízos financeiros com a inadimplência, quanto com a redução de vazamentos e até dos famosos “gatos”, instalações irregulares em domicílios.
“Investiremos o máximo possível para evitar perdas trocando ramais, pesquisando vazamentos, buscando a pressão apropriada para as redes e apostando, sobretudo na automação do sistema, que é o eixo condutor da eficiência”, frisa a presidente da Sabesp, comentando que as perdas físicas de água na companhia atingem atualmente um patamar de 26% na região. “Queremos chegar ao padrão europeu, onde o índice de perdas não supera um dígito”, completa, frisando que o mesmo número em escala nacional chegaria a 40%.
Universalização
Durante o encontro, os representantes da companhia ressaltaram ainda os investimentos na ordem de R$ 311 milhões que estão sendo aplicados na região de Botucatu, que compreende cidades na altura de Araçariguama a Lins, para a universalização do saneamento.
Ou seja, até o final de 2014, a Sabesp pretende alcançar 100% de abastecimento, 100% de coleta de esgoto e 100% dos efluentes coletados tratados em todas as áreas de sua cobertura.
Posteriormente ao interior do Estado, a meta se estenderá aos municípios do litoral e à capital, que tem previsão para conclusão da universalização até 2016 e 2020, respectivamente.
A ação é vista com “bons olhos” pelo secretário de Estado de Saneamento e Recursos Hídricos, Edson Giriboni, que também esteve no evento junto aos prefeitos da região.
“Estamos falando em saúde pública, recuperação do meio ambiente, desenvolvimento e de responsabilidade”, comenta o secretário, criticando, contudo, que o País deverá levar décadas para atingir o mesmo nível.
Giriboni antecipa ainda que os municípios não operados pela Sabesp e com menos de 50 mil habitantes poderão ser beneficiários do Programa Água Limpa, do governo do Estado, que deve ter recursos na ordem de R$ 260 milhões liberados, nos próximos dias, para financiar 31 Estações de Tratamento de Esgoto em pequenas cidades do Interior. “Para as médias e grandes cidades, fica a sugestão de uma parceria com a Sabesp”, finaliza.
+ 179 milhões
Para este ano e para 2014, a Sabesp pretende investir, dentro programa de universalização, mais R$ 179 milhões na região do Médio Tietê, com financiamentos de obras como a da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), em Agudos, e em Botucatu, que deve beneficiar mais de 7 mil habitantes moradores dos bairros Rio Bonito e Mina. Ambas as obras têm previsão para conclusão até dezembro de 2014.
A meta do programa é elevar o índice de tratamento de esgotos da regional nas sedes dos municípios de 78% para 100% até 2014.
Além das cidades citadas, outro programa de revitalização das ETEs atingem os municípios de Arealva, São Manuel, Pratânia, Pardinho, Bocaina, Itatinga, Bofete, Salto de Pirapora, Porangaba, Boraceia e Ibiúna. A melhoria dos sistemas e da prestação de serviços dessas cidades deverá garantir a certificação ISO 14.011.