Uma criança de nove meses morreu, no final da madrugada desta quarta-feira (22), enquanto era levada ao Pronto-Socorro Central (PSC) por uma viatura da Polícia Militar (PM). Ainda por motivos não esclarecidos, a menina teria passado mal e já estava "roxa" quando os militares chegaram. A família e até mesmo o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) tentaram contato com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para socorrer a criança, mas ninguém da unidade atendeu aos telefonemas.
Segundo uma familiar, que não quis se identificar, o bebê teria apresentado reações, como crise de vômito, em decorrência de duas vacinas que havia tomado nesta terça-feira (21). Em seguida, passou por consulta oftalmológica no PSC, quando já estaria apresentando “moleza”.
Durante a noite, a mãe teria medicado o bebê e, por volta das 4h de hoje, observou que ele estava com o rosto roxo, aparentemente por falta de ar, e tentou contato com o Samu, sem sucesso. A segunda alternativa encontrada pela mãe foi ligar no 190 da PM.
O Copom também não teria conseguido acionar o Samu e solicitou apoio da Unidade de Resgate dos Bombeiros. Uma viatura da PM chegou primeiro ao local e, devido à gravidade da situação, conduziu a criança ao PSC, onde chegou sem vida.
O corpo do bebê está sendo velado na sala 2 do Centro Velatório Terra Branca, na rua Gerson França, 5-55. O local e horário do enterro ainda não foram definidos pela família.
PM ligou várias vezes para o Samu
Em contato com o Copom, na manhã desta quarta-feira (22), o JCNet apurou que a família da criança teria acionado a polícia às 5h37. A equipe contou à reportagem que foram várias tentativas para acionar o Samu, já que esse tipo de caso não é atendido pela PM.
Uma viatura do Corpo de Bombeiros foi mobilizada para o atendimento, mas quando a equipe chegou ao local, a criança já havia sido levada ao PSC por uma viatura da PM.
Samu apura o caso
No início da manhã de hoje, o médico Carlos Eduardo Sacomandi, que responde pela unidade do Samu, em Bauru, já havia sido informado sobre o problema e garantiu que o caso será apurado. “O médico, que estava de plantão nesta noite, foi avisado por um bombeiro que tentaram ligar aqui e ninguém teria atendido.
Estamos avaliando a situação porque, realmente, nós não atendemos este chamado”, disse.
Segundo Sacomandi, três atendentes trabalham durante a madrugada e, por isso, ele descarta a hipótese de negligência por parte da equipe.
Um técnico em informática foi chamado para inspecionar os equipamentos do centro de operação do Samu. A previsão é de que o serviço seja finalizado até no fim da tarde de hoje.
Casos semelhantes
Sacomandi explica que, frequentemente, as ligações feitas de celular ao Samu podem cair em outro município, o que acaba atrasando o atendimento, em casos de emergência. “Nestes casos, a pessoa é aconselhada a desligar o celular e usar um telefone fixo para entrar em contato novamente com a gente”, explica.